Câncer / Atitudes contra o câncer

Publicado em 03/09/2013

Revisado em 09/03/2017

Espiritualidade e autocuidado

Espiritualidade

Doenças podem ser compreendidas como manifestações localizadas ou parciais de um desequilíbrio global. Elas nos convidam não só a consertar as “partes quebradas”, mas a cuidar de tudo o que somos de forma integral. Às vezes, é a partir da doença que vamos nos abrir para mudanças e nos interessar em buscar um sentido maior para a vida. Assim, curar-se não é simplesmente consertar algo e voltar ao lugar em que estávamos antes da doença, mas ir a um lugar adiante, em termos de consciência, amadurecimento, equilíbrio e espiritualidade.

O suporte espiritual pode acontecer através da vivência da fé e das crenças pessoais do paciente, e também pode ser experimentado através de práticas que levam à interiorização, ao silêncio, a um contato mais profundo consigo mesmo. Esse contato pode não só aplacar dores e trazer mais sentido para as dificuldades, mas elevar o paciente e ajudá-lo a confiar em suas próprias forças, algumas vezes escondidas pelo desconforto e pela desesperança.

A importância do autocuidado

Aprender técnicas para o alívio do estresse e dos sintomas da doença ou do tratamento pode ser muito importante para que o paciente participe mais ativamente de sua recuperação. Educar-se para o autocuidado, no entanto, não é somente aprender a “fazer” alguma coisa. É também se conhecer: ter consciência de si mesmo é certamente um dos maiores aliados do paciente com câncer, e pode transformar positivamente o equilíbrio de forças entre saúde e doença.

O cuidado com os familiares e cuidadores

São os familiares que vão ajudar o paciente a sentir que alguém se importa com suas noites mal dormidas, seus medos, sua aparência alterada pela doença ou pelo tratamento, sua rotina estressante de exames e consultórios médicos. O cuidado com os familiares e com os cuidadores, além de beneficiá-los, auxiliará, indiretamente, o próprio paciente.

Considerações finais sobre as técnicas e práticas

No ambiente médico ocidental, as práticas integrativas e complementares são, em sua maioria, aplicadas como intervenções de redução de estresse e ansiedade, de relaxamento ou analgesia. No contexto cultural em que se originam, no entanto, algumas são verdadeiras disciplinas espirituais ligadas a tradições milenares. É importante reconhecer isso, por respeito a elas e para que seus potenciais não sejam ignorados.

Com exceção feita às práticas biológicas, as demais costumam ser de baixo risco, baixo custo, não invasivas e sem efeitos colaterais, além de serem úteis no controle de diversos sintomas e oferecerem bem-estar e qualidade de vida.

O uso dessas práticas está crescendo no mundo todo, assim como o número de pesquisas acerca de sua utilização. Ainda se busca uma metodologia científica adequada para investigá-las e comprovar a evidência de seus benefícios, avaliando com mais clareza os efeitos adversos, a segurança e a eficácia de muitas delas.

Prevenir é o néctar de qualquer prática médica. Isso é uma verdade também em relação aos cuidados integrativos. Na grande maioria, essas práticas são originalmente instrumentos de cuidado pessoal e serão muito mais eficazes quando usadas preventivamente.