Câncer / Notícias

Paula Andregheto

Publicado em 10/08/2018

Revisado em 10/08/2018

Como funciona a imunoterapia

globulo branco linfocito

Desde que as primeiras drogas foram liberadas no mercado, em 2011, a imunoterapia colocou em andamento uma revolução no tratamento contra o câncer. Basicamente, sua atuação envolve a destruição de uma espécie de escudo molecular que alguns tumores utilizam para evitar o ataque dos glóbulos brancos do sangue, nossas células de defesa. Ou seja, em vez de atuar diretamente contra o câncer, os remédios imunoterápicos auxiliam as defesas do corpo para que elas mesmas detectem e combatam a doença.

Em termos mais técnicos, quando uma ameaça é detectada pelo nosso sistema imunológico, o organismo aciona suas células de defesa, entre elas um tipo chamado células T. Os linfócitos reagem a alguns tipos de proteína, entre elas um tipo chamado “checkpoint”, que desativa os linfócitos e fazem com que eles parem de atacar o agente agressor. Alguns tumores produzem proteínas que têm esse efeito, conseguem fazer com que as células de defesa não reconheçam o tumor como inimigo. Assim, o câncer avança livremente. A revolução surgiu com os primeiros medicamentos que conseguiam bloquear, com eficácia, estes receptores chamados “checkpoints”, tornando o câncer “visível” e submetendo-o ao ataque das células-T.

Entretanto, apesar de resultados promissores, ainda há um longo caminho para que a imunoterapia seja a solução para todos os casos. Em primeiro lugar, é preciso entender por que a terapia é eficaz somente em alguns tipos de câncer. Apesar de se mostrar eficiente em casos de melanoma, linfoma de Hodgkin e câncer de pulmão, bexiga, cabeça e pescoço, estima-se que, por enquanto, somente 20% dos pacientes em tratamento se beneficiem.

Outra característica dessa terapia a torna inacessível para a quase totalidade das pessoas: seu custo é muito elevado. Uma única caixa de um dos medicamentos liberados no Brasil pode custar cerca de R$ 18 mil. Um tratamento de um ano com essa droga pode ultrapassar meio milhão de reais.

Ainda assim, o número crescente de pesquisas na área demonstra a esperança que se deposita no sucesso desse tipo de tratamento. A expectativa é que se alcance eficácia para cada vez mais tipos de câncer e que os custos tornem-se mais acessíveis.