Câncer / Notícias

Viviane Pereira

Publicado em 23/10/2018

Revisado em 22/05/2019

Em workshop, profissionais apontam caminhos para que pacientes possam tirar melhor proveito dos medicamentos orais

Participantes do Workshop sobre Antineoplásicos orais 2018.

“Esse workshop de farmácia clínica de antineoplásicos orais é importante porque o Brasil vive um paradoxo”. Com essa afirmação o oncologista Antonio Buzaid deu início ao evento sobre o tema, realizado pelo Instituto Vencer o Câncer, do qual o médico é um dos fundadores. Buzaid referiu-se ao fato de as medicações orais contra o câncer serem aprovadas no país, mas as seguradoras só serem obrigadas a oferecer aos pacientes após a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que se reúne a cada dois anos, inserir em seu Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde. “Todo mundo faz um grande esforço para ter remédios orais, é muito mais simples, muito mais fácil de acondicionar do que os injetáveis. O mundo inteiro está indo para o oral, mas a barreira é mantida”, concluiu o oncologista.

O Workshop Farmácia Clínica: Antineoplásicos Orais reuniu diversos agentes de saúde no Hotel Meliã, no dia 22, e contou com palestras de Dulce Couto, farmacêutica do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Mario Jorge Sobreira da Silva, Diretor de Desenvolvimento Técnico-Científico da Sociedade Brasileira de Farmacêuticos em Oncologia (Sobrafo), e a enfermeira Veronica Torel de Moura, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. Eles explicaram especialmente as principais dificuldades de adesão dos pacientes aos tratamentos devido à falta de informação, orientação e acompanhamento, com o recebimento dos medicamentos diretamente nas residências.

“As operadoras de saúde muitas vezes têm encaminhado o medicamento para o domicílio sem que haja nenhum tipo de acompanhamento, nenhum tipo de orientação de profissionais farmacêuticos. Isso traz dificuldades, pela ausência de informações que esse paciente necessita para fazer o uso correto mais adequado”, avisou Mario Jorge.

A necessidade de preparar o paciente para esse formato de tratamento foi destacada por Dulce Couto: “O paciente precisa ter conhecimento suficiente para tomar o medicamento adequadamente, para autogerenciar o seu tratamento. O que a gente deve fazer na hora de entregar esse medicamento, a dispensação, é também desenvolver essa habilidade no paciente, para que ele possa ter a adesão necessária e tomar os medicamentos da forma adequada e conseguir assim atingir os melhores resultados”.

Para Veronica Torel, um dos desafios do profissional de saúde é mesmo sem estar presencialmente no momento em que o paciente fará uso do medicamento, como acontece na forma injetável, prestar suporte e fazer o seguimento do tratamento. “Precisamos personalizar a medicação de acordo com o paciente, para que se adapte aos seus hábitos de vida, orientar como armazenar e fazer uso, avaliar interações e manejar eventos adversos, para que não impactem na eficácia dos medicamentos nem na adesão ao tratamento”.