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Publicado em 27/11/2017

Revisado em 27/11/2017

Novembro azul: exames possibilitam diagnóstico precoce do câncer de próstata

Novembro é o mês dedicado à orientação sobre o câncer de próstata. Por ano, são 61.200 novos casos da doença, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Como todo tipo de câncer, quanto mais cedo a doença for descoberta, mais são as chances de cura. Estima-se que as taxas de cura sejam acima de 90 a 95% quando o tumor está em estágio inicial.

Os exames de rastreamento, que são a dosagem do PSA e o toque retal, possibilitam que o diagnóstico precoce seja feito. Mas nem sempre a alteração do nível do PSA indica câncer. A dosagem pode variar por outros motivos como hiperplasia benigna da próstata, prostatite, infecção urinária e até manipulação local. Por isso, o homem deve fazer o toque retal também. “A dosagem do PSA e o toque retal são exames que visam o diagnóstico do câncer de próstata em estágios cujo tratamento aumenta a chance de cura do paciente. Devem ser feitos a partir dos 50 anos de idade nos homens em geral. Naqueles que têm fatores de risco, os exames devem ser feitos a partir dos 45 anos e quando o risco for muito alto, em casos em que há mutação genética, recomenda-se a partir dos 40 anos de idade”, explica o oncologista Fábio Schutz, que integra o Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer.

Se os exames de rastreamento acusarem alterações, será feita uma biópsia que revelará se a lesão é ou não câncer de próstata.

A história familiar é um dos fatores de risco mais importantes para o câncer de próstata, principalmente se o homem tiver parentes de primeiro grau com a doença. A idade é outro fator significativo: o câncer de próstata é mais comum depois dos 50 anos e com o envelhecimento a probabilidade vai aumentando. O câncer de próstata também acomete mais os homens negros.

Estudos indicam ainda que uma dieta com excesso de gorduras e a obesidade aumentam o risco. Portanto, a alimentação adequada e a prática regular de exercícios são importantes para a prevenção da doença. Algumas pesquisas mostram que o licopeno – substância presente no tomate, goiaba vermelha, rabanete e melancia – tem um efeito protetor por ser um antioxidante.

Tratamento do câncer de próstata

O tratamento do câncer de próstata evoluiu muito nos últimos anos. Atualmente existem técnicas avançadas para a cirurgia de retirada da glândula, como a robótica, que permite uma maior precisão. Ainda assim, a cirurgia pode provocar alguns efeitos colaterais no paciente. “Como qualquer outro procedimento invasivo, há riscos relacionados ao próprio procedimento que incluem, por exemplo, infecção e sangramento. Também há riscos relacionados exclusivamente ao procedimento na próstata ou na região e os mais temidos pelos homens são a incontinência urinária, que é a incapacidade de segurar a urina; e a impotência, que é a incapacidade de ter uma ereção para realizar a atividade sexual. Felizmente esses riscos são baixos e dependem também diretamente de alguns fatores: se o paciente já tem um grau de impotência ou de incontinência, da idade do paciente, do tamanho do tumor e da localização do tumor”, afirma o oncologista Fábio Schutz.

A incontinência urinária geralmente ocorre por causa de uma lesão no esfíncter na cirurgia e na grande maioria dos casos é temporária. Exercícios de fortalecimento da musculatura ajudam o homem a recuperar o controle da urina. Os exercícios devem ser feitos rotineiramente, de 10 a 15 minutos por dia, com a orientação de um profissional. Esse fortalecimento da musculatura também poderá ajudar na recuperação da função erétil.

Há casos em que a cirurgia de retirada da próstata não é necessária e que o tumor pode ser apenas monitorado por exames e consultas médicas periódicas. É o que os médicos chamam de vigilância ativa. “O uso da vigilância ativa vai depender do tamanho tumor, do risco, da idade do paciente, da expectativa de vida do paciente. Então, muitas vezes a gente pode somente observar e acompanhar a evolução e eventualmente caso esse câncer se torne mais agressivo, aí sim a gente passa para um outro tratamento que pode ser cirurgia ou radioterapia”, conclui o oncologista do Instituto Vencer o Câncer.