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Runan Braz

Publicado em 09/02/2018

Revisado em 09/02/2018

Febre Amarela: Como proteger crianças em tratamento oncológico

febre amarela mosquito tela

Repelentes e evitar áreas de risco estão entre alternativas de prevenção.

O surto de febre amarela em algumas regiões do Brasil tem gerado dúvidas para milhões pessoas sobre a prevenção da doença. Uma delas é se crianças em tratamento de câncer devem tomar a vacina. A resposta é não. Segundo o Ministério da Saúde, a vacinação é contra-indicada nesses casos, mesmo quando a criança mora em áreas de risco ou viajar para esses locais.

A oncologista pediátrica e membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE) Alayde Vieira alerta: “Crianças menores de seis meses não podem ser vacinadas, assim como crianças que estão em tratamento contra o câncer e pacientes transplantados, já que se tornam imunodeprimidos (as defesas do corpo ficam deficientes) por conta dos medicamentos usados no tratamento.” Os efeitos colaterais nesse grupo de pessoas são muitos severos, com risco de complicações graves e até fatais.

Formas de proteção

O que fazer, então? Utilizar repelentes é uma das alternativas. Para proteger o ambiente de casa, há o repelente líquido, que deve ser mantido longe das crianças. Repelentes naturais, feitos com óleos como o de citronela, andiroba e capim-limão, também ajudam, mas duram pouco tempo, pois evaporam rapidamente.

A oncologista recomenda que crianças a partir dos seis meses de idade usem repelentes com o composto químico IR3535. Porém, os estudos diferem quanto à sua eficácia contra o Aedes aegypti, transmissor da febre amarela. Assim, deve-se passar o repelente mais vezes ao dia, seguindo as recomendações do produto.

Acima dos dois anos de idade, os repelentes com DEET (dietiltoloamida) e Icaridina são os mais utilizados. A especialista alerta, porém, que o uso deve ser moderado e é preciso ficar atento à concentração desses produtos e ao tempo de repetir a aplicação. Todos os compostos dos repelentes podem ser identificados atrás da embalagem.

Os repelentes nunca devem ser usados junto com hidratantes e protetores solares, pois diminuem sua eficácia e podem causar alergias – principalmente em crianças em tratamento, por conta da hipersensibilidade. E atenção aos pais e responsáveis: Evite o uso do produto nas mãos, pois a criança pode levar à boca, olhos ou nariz e causar alguma intoxicação.

Além dos repelentes, outras medidas de prevenção incluem colocar telas nas janelas, vestir roupas com mangas e calças compridas, manter as janelas fechadas sempre que possível, principalmente no período da manhã e final da tarde, evitar água parada e manter o ambiente sempre limpo para evitar que surjam criadouros de mosquitos.

O que fazer se a criança tiver febre amarela?

A criança que apresentar qualquer sintoma de febre amarela, como febre, dor de cabeça, dores musculares, náuseas ou olhos avermelhados, precisa imediatamente ser encaminhada à unidade de pronto atendimento do serviço de oncologia que frequenta.

Não há medicação para a febre amarela. Por isso, se confirmada a doença, a criança terá que ser hospitalizada e monitorada. “A febre amarela já é uma doença difícil de ser tratada, mas com pacientes oncológicos é necessário ter um cuidado a mais; por isso, precisamos focar na prevenção e evitar a proliferação do mosquito transmissor”, conclui Alayde.

No caso das crianças que terminaram o seu tratamento, quem deverá orientar o retorno às vacinas é o próprio oncologista ou equipe de oncologia pediátrica que acompanha a criança. Os pais nunca devem vacinar sem antes conversar com o oncologista.