Câncer / Notícias

Fernanda Noviello

Publicado em 11/08/2018

Revisado em 11/08/2018

Imunoterapia: Resultados obtidos até agora deixem especialistas otimistas

imunoterapia

A imunoterapia é considerada por oncologistas um dos maiores avanços no tratamento do câncer nos últimos anos. O surgimento de novas drogas e a possibilidade de combinações aumentam ainda mais o otimismo de especialistas. O impacto dessa terapia no tratamento de alguns tumores foi debatido durante o IV Simpósio Internacional de Imuno-Oncologia, em São Paulo. “Para vários cânceres a imunoterapia hoje é o tratamento que mais influencia a evolução dos pacientes”, afirma o oncologista e um dos fundadores do Instituto Vencer o Câncer Antonio Buzaid.

A imunoterapia estimula o sistema imunológico do paciente a lutar contra o tumor. O melanoma, que é um tipo de câncer de pele menos frequente, mas mais grave do que o câncer de pele não-melanoma, é a doença que apresenta os melhores resultados até agora. Estudos apresentados no encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO 2018) também reforçaram a imunoterapia como uma importante estratégia para o tratamento desse tumor. “O melanoma é a doença mãe da imunoterapia, foi a doença que a gente teve maior impacto e continua sendo no meu entender a doença que tem o maior impacto com todas as estratégias de imunoterapia que estão na nossa prática, disse oncologista Rafael Schmerling em sua palestra no Simpósio.

Além do melanoma, a imunoterapia está sendo usada também no tratamento do carcinoma de Merkel (um tumor de pele muito raro e agressivo), no de câncer de rim e no de pulmão. Apesar do uso dessa terapia ainda ser recente no tratamento dessas doenças, as respostas dos pacientes ao tratamento têm sido animadoras. A imunoterapia tem possibilitado aumento da sobrevida e até cura em alguns casos. “Com certeza a gente consegue impactar em cura mesmo na doença avançada, infelizmente não é a maioria, mas estamos melhorando e vamos claramente ter um futuro melhor”, diz o oncologista Antonio Buzaid.

Outro aspecto importante refere-se aos efeitos colaterais que são bem menores do que os provocados pela quimioterapia, possibilitando mais qualidade de vida para o paciente.

Definir o momento certo para interromper o tratamento ainda é um aspecto que está sendo estudado pelos médicos, assim como as combinações com outras terapias e o uso no combate a outros tipos de câncer. “Para o paciente, a imunoterapia representa mais esperança. Provavelmente ela vai se incorporar de alguma maneira no tratamento de quase todos os cânceres. Obviamente não será só a imunoterapia. Ainda é importante a quimioterapia. Nós vamos aprender como integrar as várias modalidades de tratamento: imunoterapia, quimioterapia, terapia alvo, radioterapia e assim por diante”, acrescenta Antonio Buzaid.