Câncer / Notícias

Viviane Pereira

Publicado em 21/08/2018

Revisado em 21/08/2018

O futuro do tratamento de câncer nos avanços da imunoterapia, na combinação de estratégias e no conhecimento sobre o melhor para cada paciente

evento worshop imunoterapia masp

Resultados de estudos e perspectivas promissoras foram apresentadas em workshop do Instituto Vencer o Câncer.

“Entender e conhecer o câncer em profundidade é saber o melhor tratamento para cada paciente”. Essa declaração do oncologista e um dos fundadores do Instituto Vencer o Câncer (IVOC), Fernando Maluf, resume o caminho que a Medicina segue para tratar a doença. Como os avanços nos tratamentos são constantes, manter a população bem informada sobre o tema é fundamental. Com esse objetivo, o IVOC realizou quinta-feira (16) um workshop para associações, jornalistas e pacientes sobre imunoterapia, no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp).

Com o tema ‘Imunoterapia de A a Z – Conceito e atualização de tratamentos’ o evento mostrou aos participantes o que há de novo nesta que é considerada a estratégia mais promissora para o tratamento de câncer. “Há uma razão única para que o câncer entre no corpo: o sistema imune falho. É uma razão prima, universal e idêntica para todos os cânceres”, destacou o oncologista e também um dos fundadores do IVOC, Antônio Buzaid, ressaltando a importância do tratamento que mais mudou na Oncologia. “Mudou muito e mudou para melhor”.

Buzaid explicou a evolução da imunoterapia e sua relação com a melhora nos resultados dos tratamentos de vários tipos de câncer – desde o primeiro tratamento, que obtinha resultados de cura de 4% no câncer metastático, até os atuais que combinam medicamentos e chegam a 20% e 30% em alguns casos.

A importância do microbioma intestinal para a saúde do corpo e os avanços de estudos nessa área em tratamento de câncer também foram apresentados por Buzaid aos participantes do evento no auditório do Masp. “Vamos curar o câncer quando conseguirmos reunir várias estratégias ao mesmo tempo”.

A presidente da Amucc – Associação Brasileira de Portadores de Câncer, Leoni Margarida Simm, fez uma consideração sobre essa questão. Para ela, o dr. Buzaid está sendo protagonista de um tema que nenhum oncologista aborda. “Eu estou há 18 anos em contato com profissionais da área e nunca vi um oncologista abordar a questão da importância da microbiota e da fisiologia da nutrição. Temos que entrar nisso até para conseguir resultados com a imunoterapia”.

Além da união de diferentes estratégias, Maluf apresentou o futuro promissor para a doença: deixar de lado a ideia de tratar todos do mesmo jeito para dar o melhor para cada um – o que resultará não só em maior amplitude de tratamentos, já que garantirá menos custos, mas também benefícios aos pacientes, como menos efeitos colaterais.

Para selecionar o tratamento certo para cada paciente, a ciência evolui no mapeamento genético, que permite aos profissionais de Medicina olhar e entender os detalhes. “Hoje é possível chegar a 315 genes relacionados ao câncer”, informa Maluf.

Os painéis genéticos conseguem dizer se o paciente deve receber medicamentos, quais tipos e a quantidade – além de apontar quem sãos os melhores candidatos para a imunoterapia. “Temos um detalhamento sofisticado dos tumores. Quando conseguimos identificar os genes, ver as mutações, as respostas aos tratamentos são melhores”, conta Maluf. “Passamos da época em que as pessoas se adequam ao tratamento para a que o tratamento se adequa às pessoas’.

Rafael Laurino, coordenador de Gestão Estratégica da Aliança Pesquisa Clínica Brasil, falou da realidade dos estudos clínicos no mundo e a situação brasileira em comparação com Estados Unidos e Europa. “Precisamos trazer mais pesquisa para o Brasil. Além de dar oportunidade de tratamento para pacientes que não teriam acesso, é importante do ponto de vista científico ter brasileiros nas pesquisas, para trazer recursos e conhecimento ao país”.

Segundo Laurino, a burocracia brasileira impede esse crescimento. “A aprovação no Brasil leva entre 4 e 12 meses, enquanto nos Estados Unidos e Europa cerca de 3 a 4 meses”, avisa. “As pesquisas têm um limite de participantes. Hoje, enquanto buscamos aprovação o mundo todo está colocando pacientes. Quando estamos prestes a aprovar, fecham os estudos”.

Laurino explica que a Aliança busca facilitar esse acesso, não reduzindo o rigor ético ou sanitário, mas diminuindo a burocracia. Uma das metas é estipular prazos para que as pesquisas sejam aprovadas.

Com o objetivo de ampliar o acesso aos estudos realizados no Brasil, o IVOC lançou em 2017 uma iniciativa inédita: uma Plataforma de Busca Ativa por Estudos Clínicos Oncológico e Onco-Hematológicos. Pacientes, familiares, médicos e interessados podem acessar de forma fácil os estudos clínicos que estão recrutando pacientes pela plataforma de busca.