Câncer / Notícias

Juliana Conte

Publicado em 19/10/2015

Revisado em 17/11/2015

O que pensa a população brasileira sobre o câncer?

Embora a maioria dos brasileiros acredite na eficiência dos recentes tratamentos para o combate ao câncer, a doença ainda é sinônimo de morte. Isso é o que demonstra uma pesquisa realizada pelo PACE (Patient Access to Cancer care Excellence), programa global da farmacêutica Eli Lilly.

Tal afirmação foi feita por 49% dos brasileiros contra 32% da média global, o que demonstra que no Brasil o estigma do câncer ainda é maior do que outros países. A pesquisa, encomendada pela Eli Lilly e realizada pela GFK, ouviu mais de três mil pessoas em sete países, sendo 500 no Brasil.

De todos os entrevistados, 89% afirmam que uma das maiores preocupações é não ser capaz de pagar e de não ter acesso ao melhor tratamento contra o câncer. Outros dados apontam para a desconfiança existente nos sistemas de saúde e 62% não acreditam na capacidade do SUS para oferecer o melhor tratamento para pacientes da doença. Os planos de saúde privado tiveram uma avaliação um pouco melhor, mas ainda assim, 1/3 dos entrevistados ainda não é totalmente confiante nesta opção.

Assista: Paciente oncológico e SUS

De acordo com a psico-oncologista Luciana Holtz, representante brasileira no Conselho Global do PACE e presidente do Instituto Oncoguia, a pesquisa revela importantes e diversos pontos de vista do brasileiro frente ao câncer, tanto em relação ao diagnóstico como tratamentos e investimentos. “É muito importante saber que o brasileiro reconhece o avanço nos tratamentos do câncer e, mais ainda, saber quais questões os afligem. Com as respostas podemos traçar novos caminhos e viabilizar novas ações em conjunto”, relata Luciana. “A informação é uma arma importante, que empodera e possibilita que os pacientes e familiares busquem pelos seus direitos, pelo acesso aos melhores tratamentos contra o câncer, que participem do processo de decisão sobre o tratamento que está sendo oferecido e realizado e, enfim, que tenham suas vontades e opiniões ouvidas”.

A pesquisa ainda apontou desconhecimento sobre outros assuntos referentes à doença. A medicina personalizada, que busca encontrar a solução para combater o câncer nas suas mais diferentes mutações, oferecendo um tratamento de acordo com a demanda daquele paciente, ainda não é um conceito conhecido. A pesquisa mostra que apenas uma em quatro pessoas está ciente desse modelo e, inclusive, 80% acreditam que não há informação suficiente e disponível sobre os novos tratamentos.