Câncer / O que é

Publicado em 30/08/2013

Revisado em 14/10/2016

DNA e divisão celular

As células são constituídas por uma membrana externa que circunda o citoplasma e um núcleo que contém a molécula de DNA.

Célula humana. O DNA está contido no núcleo.

Célula humana. O DNA está contido no núcleo.

A molécula de DNA tem a forma de uma hélice dupla, enrolada ao redor de si mesma, na qual estão contidos os genes. Ela poderia ser comparada a uma biblioteca na qual os livros ordenados nas estantes seriam os genes.

Com exceção de alguns vírus, o DNA é a molécula que armazena os genes em todos os seres vivos: bactérias, fungos, animais ou vegetais. Como os seres vivos possuem um ancestral comum, do ponto de vista químico, todos eles têm o mesmo DNA, sejam bactérias, formigas, mosquitos, árvores ou elefantes. O que diferencia um ser vivo de outro são o número e as características dos genes, não as moléculas que os constituem.

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Quando afirmamos que o homem tem cerca de 30 mil genes diferentes, queremos dizer que cada uma de nossas células carrega na molécula de DNA de seu núcleo todos os genes responsáveis por nossas características físicas: da cor dos olhos ao tamanho do nariz e ao formato da molécula de hemoglobina. Para dar uma ideia da quantidade de DNA existente no corpo, se retirássemos o DNA de dentro do núcleo de qualquer de nossas células e puxássemos as duas extremidades da hélice para esticá-la, verificaríamos que ela mediria cerca de 2 mm. Como o corpo humano tem aproximadamente 70 bilhões de células (com 2 mm de DNA em cada uma), se amarrássemos as extremidades e esticássemos todos os DNAs de cada célula, obteríamos um fio de 140 mil quilômetros (a distância da Terra à Lua é de cerca de 380 mil quilômetros).

Divisão celular

O corpo humano está em permanente processo de renovação. Em qualquer momento do dia ou da noite algumas células estão morrendo, enquanto outras nascem para substituí-las. O tempo de vida de cada uma é muito variável. Podem viver apenas algumas horas (alguns glóbulos brancos), dias (pele, mucosa dos intestinos), poucos meses (glóbulos vermelhos), ou muitas décadas (alguns glóbulos brancos, neurônios, células musculares). Até tecidos sólidos como os ossos estão em remodelação constante: 10% do tecido ósseo se renova anualmente. Isso significa que em 70 anos de vida trocamos o esqueleto inteiro sete vezes.

Esse processo incessante exige que as células façam cópias de si mesmas para substituir as que envelheceram e precisam morrer. Para produzir essas cópias, a célula tem que se dividir em duas, mas é muito importante que as células-filhas sejam idênticas às que lhes deram origem. Caso contrário, uma célula da pele, ao dividir-se, poderia formar um glóbulo vermelho ou um neurônio, desorganizando completamente o organismo.

Quem controla a divisão celular, essencial para manter a integridade do organismo, são também genes situados no DNA do núcleo. Deles é que parte a ordem para a célula entrar em divisão, e são eles que supervisionam o processo inteiro (chamado de ciclo celular) para assegurar que as duas células-filhas sejam idênticas à célula-mãe.

A cada instante, milhões e milhões de células se encontram em divisão. O processo é tão bem controlado pelos genes que raramente se forma uma célula-filha defeituosa. Quando isso acontece, chamamos de mutação. Em geral, o corpo tem mecanismos muito eficientes para eliminar as mutações. Muitas vezes as mutações podem até coexistir nas células, desde que não tragam problemas para seu funcionamento. Essas mutações que subsistem, especialmente quando ocorrem em células germinativas (os óvulos e os espermatozoides), são fundamentais para gerar mais diversidade entre as espécies e garantir sua evolução.