Câncer / O que é

Publicado em 30/08/2013

Revisado em 06/08/2015

Genes

O óvulo e o espermatozoide contêm, cada um, uma fita de DNA com 30 mil genes. Quando ocorre a fecundação (união entre os dois tipos de células), é gerada a chamada célula-ovo, que herda duas fitas de DNA com os 30 mil genes se dispondo em pares, condição absolutamente necessária para que um novo indivíduo seja gerado. Em seguida, a célula-ovo, em posse agora de duas fitas de DNA, trata de embaralhar todo o material genético do pai e da mãe. O indivíduo que vai resultar das divisões dessa célula-ovo será, portanto, único em sua constituição genética.

A consequência desse embaralhamento dos genes é interessante. Somos fisicamente distintos de outras pessoas da nossa espécie, e até dos nossos irmãos, por conta dessa mistura, e também porque os 30 mil genes são discretamente diferentes em cada indivíduo, quando examinados bem de perto. A variabilidade dos genes humanos geralmente é muito sutil, mas o efeito final, quando se observa o fenômeno ocorrendo nos 30 mil pares de genes, é impressionante, de forma que a chance de que algum dia outra pessoa venha a apresentar a mesma carga genética que a nossa, com exceção dos gêmeos idênticos, é infinitamente pequena.

Ao fazer a primeira divisão, essa célula primordial trata de copiar os 30 mil pares para dividi-los em dois pacotes iguais, um para cada célula-filha. Sucessivamente, as células-filhas repetem a operação e se dividem em quatro, oito, 16, 32, até chegar aos 70 bilhões de células do organismo adulto, cada uma das quais contendo o pacote completo de instruções armazenadas nos genes originados de nossos pais.

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Se todas as células do organismo contêm os 30 mil genes, o que faz uma célula da pele ser diferente de uma do fígado ou do cérebro? Já nas primeiras fases do embrião, são liberadas substâncias, denominadas fatores de crescimento, que vão agir especificamente em cada grupo celular, ativando certos genes e impedindo que outros funcionem. Numa orquestração impecável, cada célula migra para um local determinado do embrião, onde passará a expressar exclusivamente os genes necessários para exercer sua futura função. É como se cada célula humana herdasse todo o pacote de genes que foram inicialmente recebidos pela célula-ovo, mas apenas alguns setores desse pacote se encontrassem operantes, aqueles absolutamente necessários para o funcionamento do órgão em que a célula se localiza, seja pele, fígado ou cérebro.

Por exemplo: nas células que formarão a pele, um dos genes ativados será o que produz queratina, proteína essencial para revestir e impermeabilizar a superfície do corpo, e desativado (silenciado) o gene que as obrigaria a produzir insulina. No pâncreas, acontece o oposto: é ativado o gene da insulina e desativado o da queratina.

O mesmo processo de divisão celular prossegue depois do nascimento, para que os tecidos possam ser renovados constantemente: todos os genes são copiados e distribuídos para todas as células-filhas.