Câncer / Tratamento

Redação VOC

Publicado em 05/09/2014

Revisado em 08/03/2017

Hormonioterapia

Para crescer e se disseminar, diversos tipos de câncer dependem dos hormônios produzidos pelo organismo. São tumores cujas células possuem receptores aos quais os hormônios se ligam para funcionar como fatores de crescimento.

Os hormônios agem como fatores de crescimento porque a ligação com os receptores dá origem a um sinal que vai ativar os genes responsáveis pela multiplicação celular. Sofrem esse tipo de interferência hormonal os tumores malignos que se instalam nas mamas, endométrio (camada mais interna do útero), ovário, próstata, tireoide e outros.

Mecanismo de ação

A ação se dá segundo dois mecanismos básicos:

  • Através da supressão da produção de hormônios, com a finalidade de privar as células malignas dos estímulos necessários para entrar em divisão;
  • Através do bloqueio da ligação dos hormônios com seus receptores (chamado bloqueio periférico);
  • Em ambos os casos ocorrem diminuição da velocidade de multiplicação e indução de morte celular programada (apoptose).
Mecanismo de ação da hormonioterapia. Note que há dois mecanismos: pode-se reduzir o hormônio que alimenta o crescimento do tumor através da supressão, ou da retirada do órgão que produz o hormônio, ou bloquear a ligação dos hormônios nos receptores das células tumorais. Como exemplo, mostramos uma mulher com câncer de mama na pré-menopausa e um homem com câncer de próstata.

Mecanismo de ação da hormonioterapia. Note que há dois mecanismos: pode-se reduzir o hormônio que alimenta o crescimento do tumor através da supressão, ou da retirada do órgão que produz o hormônio, ou bloquear a ligação dos hormônios nos receptores das células tumorais. Como exemplo, mostramos uma mulher com câncer de mama na pré-menopausa e um homem com câncer de próstata.

Tipos de hormonioterapia

As principais estratégias para interferir no crescimento tumoral através de manipulações hormonais são:

  • Retirada cirúrgica de glândulas endócrinas

A retirada dos ovários priva o organismo feminino da ação dos hormônios sexuais (estrógeno e progesterona). Essa cirurgia, quando indicada para mulheres na pré-menopausa portadoras de câncer de mama disseminado, induz remissão em 30% a 40% dos casos.

Por mecanismo semelhante, a retirada dos testículos (produtores de testosterona) induz remissão em pelo menos 80% dos portadores de câncer de próstata disseminado.

  • Doses suprafisiológicas de hormônios

Enquanto pequenas doses de hormônio podem estimular o crescimento de determinados tumores, doses muito elevadas (suprafisiológicas) podem exercer o efeito oposto. É o caso do câncer de mama, doença que pode ser agravada pela administração de doses baixas de estrógenos ou progesterona, mas que pode entrar em remissão quando tratada com doses altas dos mesmos hormônios.

  • Inibidores de enzimas necessários para a produção de hormônios

Através da inibição de algumas enzimas, é possível privar a síntese de hormônios e assim bloquear as células malignas desses fatores de crescimento. Como exemplo, podemos citar os inibidores da aromatase, drogas empregadas no tratamento do câncer de mama que inativam a aromatase, enzima fundamental para a formação de estrógenos na menopausa.

  • Antagonistas dos hormônios (anti-hormônios)

Geralmente, são drogas que se ligam aos receptores existentes nas células malignas, impedindo que o hormônio se aproxime deles. O exemplo clássico é o tamoxifeno, droga que bloqueia os receptores de estrógeno existentes nas células do câncer de mama e os antiandrogênios periféricos usados no câncer de próstata.

  • Combinação de hormônios

Os resultados obtidos através da combinação de hormônios com diferentes mecanismos de ação não são tão favoráveis quanto aqueles proporcionados pelas associações de quimioterápicos no câncer de mama, mas em alguns tipos, como no câncer de próstata, a combinação pode oferecer resultados melhores.

Previsão de resposta

Como a hormonioterapia não induz respostas (redução do tumor) em todos os pacientes, é fundamental tentar identificar os que terão maior probabilidade de responder.

No câncer de mama, a presença de receptores de estrógeno e progesterona nas células tumorais, detectada no exame da peça operatória, é o melhor exemplo de um desses fatores preditivos: cerca de dois terços dos cânceres de mama apresentam receptores de estrógeno; os demais são negativos.

O tratamento hormonal provoca remissões em 40% a 75% dos tumores com receptores positivos, e em menos de 10% no caso de ausência desses receptores.