Dia a Dia do Paciente / Atividade Física

Juliana Conte

Publicado em 17/08/2015

Revisado em 08/03/2017

Como os exercícios ajudam a prevenir a formação de um tumor?

Muita gente já ouviu dizer que atividade física previne câncer. Mas o que pode ter a ver uma coisa com a outra? Como exercitar-se regularmente (no mínimo três vezes por semana com duração mínima de trinta minutos) faz com que diminua o risco de um tumor surgir em nosso organismo? Grosso modo, a atividade física diária reduz o estresse oxidativo, isto é, a produção de radicais livres, agentes que podem prejudicar o metabolismo intracelular e ocasionar danos ao DNA, RNA, lipídios e proteínas. Radicais livres também promovem o mau funcionamento do sistema de reparo do DNA, contribuindo para a proliferação de células com mutações, ou seja, o desenvolvimento do câncer.

Alguns tipos de exercícios são mais eficientes para prevenir câncer. Veja quais.

Uma coisa vai puxando a outra, conforme explica o cirurgião oncológico Gustavo Cardoso Guimarães, do A.C. Camargo Cancer Center. Com o gasto energético maior, há diminuição do peso corpóreo, do colesterol, o diabetes fica controlado, o sistema imunológico se fortalece e consequentemente há uma melhora de todas as funções orgânicas vitais. “O nosso sistema de controle, chamado de reparo, tem um trabalho importantíssimo de vigiar e destruir todas as mutações que acontecem e podem ser prejudiciais ao nosso organismo. Quando você está fragilizado, com o imunológico debilitado, tudo é prejudicado. Então, o exercício físico tem essa relação indireta de prevenção.”

E quanto à intensidade dos exercícios? Para evitar a formação de radicais livres, a dica é praticar mantendo de 65 a 80% de sua frequência cardíaca máxima (FCM). Para descobrir sua FCM, basta fazer uma conta simples: 220 menos a sua idade. Por exemplo, para uma pessoa de 25 anos, a frequência cardíaca máxima será de 220 – 25 = 195 batimentos por minuto (bpm). Mas é imprescindível passar por avaliação médica específica para a prática de atividade física, pois determinadas condições, como hipertensão, diabetes etc. podem influenciar na recomendação mais segura.

Ainda não se sabe como, mas de acordo com a fisiatra Christina Brito, do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo), estudos apontam que a atividade física tem relação com a proteção contra o câncer em diversos outros níveis: na indução da carcinogênese (nome dado ao processo de formação e progressão tumoral), na supressão da angiogênese (formação de novos vasos que alimentam o tumor), nos níveis hormonais, na redução de processos inflamatórios e da gordura abdominal. “Essa gordura acumulada apresenta atividade metabólica e influencia os níveis de hormônios circulantes que são associados à carcinogênese de alguns tumores, como o câncer de mama, endométrio, próstata e cólon.”

Atividade física é fundamental não só para prevenção, mas também para quem está em tratamento ou já passou por um. Assista à entrevista completa da fisiatra.