Dia a Dia do Paciente / Atividade Física

Juliana Conte

Publicado em 08/06/2015

Revisado em 08/03/2017

Fisioterapia e cuidados paliativos

A atividade física tornou-se um dos grandes “coringas” da medicina, já que a prática diária é capaz de prevenir doenças crônicas, cardiovasculares, câncer e de quebra ainda proporcionar melhor qualidade de vida. Pacientes em tratamento oncológico, quando submetidos a quimioterapia, também são orientados pelos especialistas a fazer exercícios diários, pois a atividade consegue atenuar um dos sintomas mais frequentes e incapacitantes: a fadiga.

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A filosofia dos exercícios é levada tão a sério que até mesmo aqueles submetidos aos cuidados paliativos — pacientes que não têm possibilidade de cura, não necessariamente na terminalidade da vida — passam por sessões diárias de exercícios. Elas são importantes para dar autonomia e amenizar os sintomas provocados pelo tumor, que tendem a ficar mais intensos conforme a doença avança.

A fisioterapeuta Adriana Ferreira, que atua na unidade de cuidados paliativos do Hospital de Câncer de Barretos, explica que quando o  paciente está com uma capacidade funcional boa, que permite a ele comer e andar sozinho, a fadiga é considerada de intensidade moderada a leve. Nesse caso, é possível estimular o paciente a fazer pequenos exercícios, como uma caminhada com acompanhante por dez minutos no hospital, além de exercícios para fortalecer os membros superiores, com pesinhos de meio a um quilo. “Ele consegue fazer também exercícios na bicicleta ergométrica, e nós monitoramos a frequência cardíaca e a pressão arterial. Podemos fazer também atividades de fortalecimento muscular com tornozeleira, alongamentos, massagem terapêutica. Tudo para estimular o movimento e amenizar os sintomas.”

Mesmo aqueles que não conseguem fazer atividades aeróbias mais intensas, seja por conta da fadiga, seja por não se locomover com facilidade, são submetidos a pequenos esforços diários que irão garantir melhor qualidade de vida. “Tudo vai depender do grau de fadiga dele. Se for muito intensa, nós utilizamos técnicas de conservação de energia. Por exemplo: na hora do banho, nós orientamos que, ao invés de ele tomar em pé, é preferível que fique sentado. Trocamos o sabonete em barra pelo líquido. Passa um pouco no corpo, esfrega e depois descansa. Enxágua devagar e descansa mais um pouquinho. Estimulamos também ele a sair do leito, para que ele se movimente e não fique ainda mais cansado. Dessa forma, é possível utilizar dispositivos auxiliadores de marcha, como um andador ou uma bengala. São pequenas atitudes que vão fazer diferença, pois isso vai permitir que ele não perca ainda mais massa magra”, explica a fisioterapeuta.

E quem pensa que há resistência dos pacientes em aderir às atividades, engana-se. Segundo Adriana, eles querem que algo seja feito por eles, mas também desejam se sentir atuantes. “Os pacientes sabem que estão fora da possibilidade de cura, mas o que eles mais querem quando chegam aqui é qualidade de vida. Eu costumo dizer que damos vida aos dias. Então eles pedem os exercícios, porque percebem que melhora muito a fadiga. A ideia é fazer com que ele se sinta o mais independente possível, e isso acontece.”