Dia a Dia do Paciente / Atividade Física

Luciana Castelli Assmann

Publicado em 14/08/2019

Revisado em 14/08/2019

Uma nova jornada: de paciente a especialista em atividade física para tratamentos oncológicos

Após câncer de mama, preparadora se especializou em atividade física para pacientes oncológicos para orientar e estimular exercícios entre essa população.  

Mulher de costas fazendo alongamento com instrutora na sua frente.

 

Levava uma vida supersaudável, seguia uma alimentação correta, praticava atividade física, não fumava nem bebia, também não tinha histórico de câncer na minha família. Por isso o meu diagnóstico aos 48 anos foi uma surpresa. Descobri ao fazer a mamografia: era um tumor superagressivo e foi preciso agir rápido. Comecei a tratar na semana seguinte, fiz 16 sessões de quimioterapia e em seguida retirei as duas mamas.

Como sempre pratiquei musculação e caminhada, queria manter a mesma rotina, mas tive muita dificuldade de encontrar informações sobre qual intensidade era permitida. Percebi que me exercitar, ainda que fosse uma caminhada de 15 minutos, ajudava a sentir menos efeitos colaterais da quimioterapia, como a fadiga que me deixava totalmente sem energia.

 

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Cada treino era meu momento de lazer e ainda garantia que eu mantivesse a força muscular e melhorava meu sono. A musculação com carga leve ativava a circulação e diminuía dores e cãibras.

 

Musculação x Câncer

A musculação melhora a composição corpórea e aumenta a massa magra, diminuindo a disponibilidade de gordura no nosso corpo. Sabemos que o tecido gorduroso tem relação com a disponibilidade hormonal, que é importante para alguns tumores, como de mama, por exemplo. Exercício regular também determina o hábito intestinal mais regular e com isso diminui a exposição do tecido intestinal a substâncias potencialmente carcinogênicas.

Um estudo com 80 mil pessoas feito na Austrália demonstrou que indivíduos que costumam praticar atividades focadas nos músculos apresentam um risco 23% menor de morrer cedo por qualquer causa e uma probabilidade de 31% mais baixa de morrer de câncer. E isso não vale só para a musculação convencional feita em aparelhos — vale também para os exercícios funcionais, que utilizam o peso do próprio corpo como sobrecarga.

Além da musculação me ajudar a superar a doença, percebi que o alongamento me preparou para a etapa final do tratamento: a radioterapia, que exige ficar esticada na maca com o braço para trás completamente imóvel.

No próprio hospital fui questionada por outras pacientes sobre como eu conseguia estar bem fisicamente em meio a um tratamento tão agressivo. Foi aí que eu percebi que podia ajudar outras pessoas!

Comecei dando dicas e sugestões de exercícios e sem perceber já estava mudando o rumo da minha carreira. Há 6 anos trabalho com pessoas que estão enfrentando o câncer.

 

Luciana Castelli Assmann
Educadora Física especialista em pacientes oncológicos