Dia a Dia do Paciente / Efeitos Colaterais

Juliana Conte

Publicado em 08/03/2015

Revisado em 21/06/2019

Preservação da fertilidade em pacientes com câncer

Por um lado, a quimioterapia e a radioterapia servem para destruir as células malignas e eliminar o câncer. Por outro, o coquetel de remédios pode fazer com que exista a perda da função uterina, além da destruição total ou parcial da reserva de óvulos no ovário. Em outras palavras, a chance de uma paciente ficar infértil, principalmente se estiver na faixa etária entre os 30 e 35 anos, pode ser de mais de 50%.

Isso acontece, segundo prof° Dr. Joji Ueno, especialista em Reprodução Humana, diretor da Clínica GERA, porque o tratamento oncológico inibe a multiplicação de células cancerígenas, mas acaba afetando também a produção das células germinativas. “Isso interfere na produção e desenvolvimento dos óvulos e há possibilidade de acontecer mutações cromossômicas”, esclarece.

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A recomendação dos oncologistas atualmente é que as mulheres diagnosticadas com câncer pensem na possibilidade de fazer o congelamento dos óvulos (mesmo se ela não tiver um parceiro ou nunca pensou na possibilidade de gravidez). Mas é de extrema importância que o procedimento seja feito antes de iniciar a químio ou a radioterapia, a fim de preservar os óvulos saudáveis. Entretanto, por se tratar de um momento crítico na vida da paciente, com muitas decisões a serem tomadas em um curto período de tempo, nem sempre existe uma oportunidade para as pacientes discutirem o assunto. [relacionados]

A técnica, por si só, é relativamente simples e rápida. Primeiro, a mulher precisa receber estimulação ovariana por meio de hormônios, provocando o desenvolvimento de vários folículos. “A estimulação se faz por meio da injeção de hormônios, mas também é possível por medicação via oral. Nós fazemos o controle do crescimento do folículo por ultrassom, além dos exames de sangue de controle. Dessa maneira, quando eles estiverem no tamanho adequado, nós fazemos a aspiração por via vaginal. Geralmente, todo esse processo dura de 15 a 20 dias”, explica o Dr. Jorge Haddad-Filho, médico do Serviço de Reprodução Humana do Hospital São Paulo.

O processo de aspiração se faz com a paciente sedada e não dura mais que 20 minutos. Normalmente, a mulher recebe alta no mesmo dia. Essa técnica, denominada criopreservação, é uma maneira bastante segura de preservar a fertilidade da paciente com câncer. “No caso da nossa clínica, os óvulos ficam armazenados a uma temperatura de -196ºC com nitrogênio líquido. Quando ela receber alta da oncologia e desejar engravidar, nós fazemos a fertilização com o esperma do pai”, completa Dr. Joji Ueno.