Dia a Dia do Paciente / Efeitos Colaterais

Juliana Conte

Publicado em 31/07/2015

Revisado em 15/07/2019

Psicoterapia ajuda paciente oncológico a controlar a ansiedade

Além do impacto físico que o câncer acarreta, com perda ou ganho de peso, fadiga, náuseas, retirada das mamas (no caso desse tipo de tumor), a doença também causa grande impacto emocional. A expressão mais utilizada por aqueles que enfrentaram a doença é que eles se sentiam como se um buraco se abrisse na frente deles no momento do diagnóstico. Ao receber a notícia, paciente e família precisam lidar com sentimentos diversos (raiva, tristeza, ansiedade) que devem ser bem administrados para que não haja comprometimento do tratamento.

Apesar de a grande maioria dos hospitais privados e dos serviços especializados em oncologia oferecerem atendimento psicológico, nem sempre o paciente se sente à vontade de buscar esse tipo de ajuda. Buscar um profissional particular para muitos pode não ser viável financeiramente (dependendo do profissional, pode ser um gasto mensal de R$400 a mais). 

Leia mais sobre o assunto: O impacto emocional do câncer

Com o objetivo de oferecer suporte emocional para pacientes em tratamento oncológico dentro do Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo), existe o (Chronos) Centro Humanístico de Recuperação em Oncologia e Saúde, que conta com psicólogos voluntários fazendo especialização em psico-oncologia e que dão atendimento gratuito à população desde o ano 2000. 

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A psicóloga e psicanalista Elisa Maria Parahyba Campos, criadora e coordenadora do projeto, não sabe ao certo o número de pessoas atendidas desde o início no Chronos, mas afirma que a procura aumentou bastante nos últimos tempos. Muitos pacientes estão sendo encaminhados pelos próprios médicos. “Procurar atendimento psicológico era visto com certo receio pela sociedade, mas isso já mudou bastante. Para um paciente com câncer era ainda menos comum buscar esse tipo de auxílio.”

O tratamento dura em média quatro meses e as sessões, 50 minutos, uma vez por semana. Normalmente não há fila de espera e o paciente faz uma entrevista inicial (triagem) para que o psicólogo estipule e sugira o tratamento. “Quem lida diretamente com pacientes oncológicos precisa saber um pouco sobre a doença, sobre os efeitos colaterais do tratamento. A diferença é que aqui não trabalhamos com grandes interpretações e investigações de processos mentais. A demanda desse paciente é diferente e está relacionada à doença, à ansiedade que usualmente surge, ao possível medo da morte, de como será o futuro. Se ele é jovem, um provedor de família, uma mãe com filho pequeno, tudo isso interfere e afeta muito a vida da pessoa. Trabalhamos com aquilo que está mais próximo. O fator emocional tem que estar bem administrado, pois isso vai refletir no jeito que ela vai encarar o tratamento.” 

Entretanto, ao contrário do que se possa imaginar, quem chega mais aflito não são os pacientes, e sim os familiares, que muitas vezes não conseguem lidar com a situação. “A família é a que chega mais desesperada e buscando respostas. Já o paciente oncológico só quer alguém que o escute sem julgamentos e interferências. Então, ele prefere não comentar sobre os medos que surgem nessa caminhada com o familiar, pois há aquele receio de deixá-lo preocupado. Já o familiar também fica angustiado, com medo de contar coisas sobre o tratamento, pois pensa que a pessoa não vai aguentar. Por isso a importância de uma escuta mais analítica e neutra”, afirma. 

Se você é paciente oncológico e deseja passar por atendimento psicológico, basta entrar em contato com o Instituto de Psicologia da USP.
Telefone (11) 9358-5986