Dia a Dia do Paciente / Suporte e Manejo

Fabiana Novello

Publicado em 13/07/2018

Revisado em 13/07/2018

Alergia respiratória em paciente oncológico

tosse

No inverno, os casos de alergias e infecções respiratórias costumam aumentar principalmente em crianças e idosos. Tosse, entupimento nasal, coceira, irritação na garganta, chiado no peito e falta de ar são sintomas que podem indicar rinite alérgica, bronquite e asma. Os pacientes oncológicos devem ter cuidado redobrado, pois também podem apresentar esses problemas e o rápido tratamento deles vai evitar complicações e garantir mais qualidade de vida ao paciente. “No inverno, o ressecamento do ar diminui a capacidade de limpar o pulmão. Tem também o aumento da poluição atmosférica que é prejudicial. Ambientes mais fechados com aglomeração de pessoas também influenciam no aparecimento de alergias”, explica a pneumologista Elnara Negri, do hospital BP Mirante.

Os ácaros, a poeira, a poluição e fungos são os grandes vilões das alergias respiratórias. Por isso, os ambientes devem ser mantidos arejados e sempre limpos. Carpetes e cortinas que acumulem esses agentes devem ser evitados.

No caso do paciente oncológico que apresentar uma alergia ou infecção respiratória, é fundamental que ele seja avaliado cuidadosamente para que seja descoberta a causa do problema. “Tem a bronquite alérgica e não alérgica, causada por infecção por vírus; tem sinusite, a bronquiolite tem sido frequente. Quando o paciente apresenta sinais de alergia ou infecção ele deve passar por exames, o histórico dele deve ser avaliado também, ou seja, o médico precisa saber se ele já teve episódios de alergias respiratórias. Com todos os dados o médico vai direcionar o tratamento para o que acomete o paciente e esse tratamento poderá ser hospitalar ou em casa, dependendo de como ele estiver”, afirma a pneumologista.

Se o paciente fuma, o ideal é que ele pare de fumar para evitar mais complicações. O tabagismo é fator de risco para diversos tipos de câncer, como pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, estômago, intestino, rim, bexiga e mama. E além de causar câncer, o cigarro prejudica o tratamento. “O paciente com câncer de pulmão, por exemplo, geralmente tem Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, DPOC, porque foi fumante. Por ter fumado, ele fabrica um catarro difícil de expectorar. Muitos pacientes acham que parar de fumar não vai mais adiantar porque já estão com câncer. Mas isso não é verdade. Ele parando de fumar, vai ter mais qualidade de vida”, acrescenta a médica.

Dependendo do tratamento que o paciente oncológico estiver fazendo, ele pode ficar mais suscetível ao aparecimento de alergias e infecções respiratórias. “Alguns pacientes que fazem imunoterapia podem desenvolver um processo autoimune. Se isso ocorrer, às vezes se interrompe o tratamento por uma semana para que o processo seja cortado e depois ele é retomado”, diz a pneumologista Elnara Negri. Por isso, o tratamento do paciente oncológico deve ser multiprofissional para combater de forma eficaz cada efeito ou problema que surgir ao logo de todo o processo.

Em casa, é fundamental que ele se alimente bem e se mantenha hidratado. Se tiver animais de estimação, eles devem estar vacinados e vermifugados. O umidificador de ar pode ser usado nos dias mais secos, mas desde que seja limpo constantemente.