Câncer / Notícias

Fabiana Novello

Publicado em 02/02/2017

Revisado em 21/03/2017

Câncer infantojuvenil é tema de campanha do INCA no Dia Mundial do Câncer

 

criança leucemia linfoma

Leucemias, linfomas e tumores do sistema nervoso central são os principais tipos de câncer em crianças e adolescentes, de 0 a 19 anos. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer é principal causa de morte por doença nessa faixa etária. Mas se for diagnosticado precocemente, o prognóstico é bom. “No Brasil, o diagnóstico ainda é tardio e isso precisa mudar. A criança tolera melhor o tratamento e responde melhor a ele do que o adulto, por isso é importante que a doença seja diagnosticada precocemente”, afirma a hematologista pediatra Sandra Loggetto, da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale).

A estimativa do INCA para 2017 é de 12.600 novos casos de câncer infantojuvenil. Diferentemente do câncer no adulto, em que fatores como sedentarismo, obesidade e fumo influenciam no surgimento da doença, na criança e no adolescente, as causas não são totalmente conhecidas.

O que se sabe é que o câncer infantojuvenil se desenvolve rapidamente, por isso os especialistas enfatizam que o diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento. Pais e pediatras devem ficar atentos a alguns sinais e sintomas que podem indicar a doença. “Sono frequente, palidez, dor óssea constante podem indicar leucemia, por exemplo. A dor de cabeça que persiste, alteração no equilíbrio, inchaço na barriga, também precisam ser investigados”, acrescenta a hematologista pediatra Sandra Loggetto.

O tratamento se faz com quimioterapia, radioterapia e em alguns casos com cirurgia e transplante de medula. “Nas crianças, as terapias são mais intensivas porque elas toleram melhor e respondem mais rapidamente. Na maioria não se faz transplante de medula, por exemplo, porque os outros tratamentos já são suficientes”, explica o hematologista Phillip Scheinbeg, integrante do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer. “No adulto, há outros fatores que interferem no tratamento como idade e problemas de saúde adquiridos com o tempo. Então, os transplantes de medula, por exemplo, são mais frequentes nos adultos”, acrescenta o hematologista.

Durante o tratamento, há uma queda na imunidade e a criança fica mais sensível a infecções. O paciente também pode ter anemia, por isso devem ser tomados cuidados com a alimentação e é recomendado o acompanhamento de um nutricionista.
Após a conclusão do tratamento, crianças e adolescentes devem continuar indo ao médico porque podem surgir algumas sequelas, como problemas de crescimento, doenças cardíacas, problemas nos dentes, lesão óssea, entre outros. “Durante cinco anos após o tratamento, o acompanhamento com o médico deve ser frequente, mensalmente. Depois o médico vai espaçando as consultas. Há sequelas que demoram mais para aparecer, por isso o acompanhamento tem que ser feito por vários anos”, orienta Sandra Loggetto.

Dia 4 de fevereiro é o Dia Mundial do Câncer e neste ano o INCA definiu como tema de sua campanha o câncer infantojuvenil. “É hora de falar sobre câncer infantojuvenil. Ainda tem pessoas que não falam nem a palavra, é muito estigmatizado. Muitos acham que é doença de adulto e idoso. Por isso, é preciso conscientizar a comunidade toda, pais e pediatras, de que existe câncer em crianças e adolescentes”, enfatiza Sandra Loggetto.