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Publicado em 12/03/2018

Revisado em 12/03/2018

Estilo de vida influencia no aparecimento de câncer de bexiga em mulheres

bexiga

O câncer de bexiga é uma doença que acomete mais os homens do que as mulheres. No entanto, a incidência em mulheres tem aumentado e o estilo de vida, com adoção de hábitos não saudáveis como fumar, pode ser uma das razões para isso. A estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA) de novos casos desse tumor em mulheres era, no ano de 2016, de 2.470. O número passou para 2.790, em 2018. Já em relação aos homens, o número caiu de 7.200, em 2016, para 6.690, em 2018. “Antigamente, a gente tinha um dado que era o seguinte: 4 vezes mais homens do que mulheres tinham câncer de bexiga. Hoje, essa diferença está entre 2,5 a 3 vezes”, comenta a oncologista Ana Paula Garcia Cardoso.

O tabagismo é o principal fator de risco para o aparecimento desse tumor. As substâncias químicas presentes no tabaco causam sérios danos às paredes internas da bexiga e provocam alterações que podem levar ao câncer. “Hoje em dia a mulher fuma muito mais do que antigamente. Aumentou também o índice de obesidade nas mulheres. Essas mudanças no estilo de vida aumentam o risco de câncer de bexiga”, explica a oncologista. Portanto, não fumar é a melhor forma de prevenção.

Ter parente de primeiro grau que teve câncer de bexiga e a exposição a tintas, principalmente no caso de pessoas que trabalham na indústria têxtil, também aumentam as chances de desenvolvimento desse tumor.

O sangue na urina pode ser um indicativo da doença e deve ser investigado por um médico. Claro que o sintoma pode estar associado a outros problemas como cálculo renal, infecções urinárias e prostatites (no caso dos homens) e não necessariamente ao câncer. Por isso, é importante que as pessoas que tiverem sangue na urina procurem um serviço de saúde para saber o que está provocando o sintoma e qual tratamento devem fazer.

Tratamento do câncer de bexiga

O tratamento do câncer de bexiga depende da extensão da doença. Quando o tumor não invade a parede do órgão, o tratamento é mais simples e as chances de cura são maiores. O paciente poderá ser submetido a uma ressecção transruretral e a análise patológica do material coletado indicará se o procedimento foi suficiente ou se tratamentos complementares terão de ser adotados.

Já quando os tumores são invasivos será necessária uma cirurgia para a retirada parcial ou total da bexiga. Se ocorrer a retirada total do órgão, o paciente terá de fazer uma reconstrução das vias urinárias para poder eliminar a urina. “O paciente poderá usar, por exemplo, um cateterismo intermitente limpo que é uma sondagem programada. A urina sairá por uma sonda e a pessoa poderá fazer esse procedimento sozinha no banheiro. Outra possibilidade é o uso de bolsas coletoras que ficam aderidas à pele da pessoa e devem ser trocadas periodicamente, a cada 3 dias, pelo próprio paciente”, explica a enfermeira estomaterapeuta Eliane Sponton, especialista na área.

Para a doença avançada, novos medicamentos e estratégias surgiram recentemente, após um longo período sem inovações. O uso da imunoterapia, que estimula o sistema imunológico do paciente a combater o tumor, é apontado como um grande avanço nesses casos. Algumas drogas foram aprovadas recentemente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), entre elas o pembrolizumabe, medicamento imunoterápico indicado para tumores uroteliais de bexiga. “Quando a gente fala em doença avançada, a gente ficou praticamente sem novidade nenhuma durante 10 a quase 15 anos. Agora temos aqui no Brasil pelo menos 3 drogas novas aprovadas no tratamento com imunoterapia. Essas medicações são vistas com bastante esperança no cenário desses pacientes com câncer de bexiga avançado porque aumentam a sobrevida deles e oferecem uma qualidade de vida muito melhor”, afirma a oncologista Ana Paula Garcia Cardoso.