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Publicado em 07/02/2014

Revisado em 07/03/2017

Influência do estilo de vida no câncer de boca, faringe e laringe

Desde 1997, há evidências conclusivas de que o álcool, independentemente do tipo de bebida que se ingira, predispõe ao câncer de boca, faringe e laringe. Esse risco aumenta muito quando o indivíduo bebe e fuma, pois o tabaco e o álcool têm o que chamamos de risco multiplicativo, ou seja, quando em conjunto, amplificam o risco de câncer.

Uma dieta rica em frutas e vegetais, principalmente os de folhas verdes e os crucíferos, como a couve-flor e o brócolis, reduz o risco de câncer de boca, faringe e laringe, por sua ação antioxidante e de reparação do DNA celular. Parece que a vitamina C, carotenoides e fitoquímicos contidos nas frutas e vegetais exercem um efeito protetor, pois a ingestão de vitamina C diminui o risco desse tipo de câncer. Entre as fontes de carotenoides, o tomate parece ter uma ação protetora, especialmente quando usado em alimentos que sofrem cocção.

Portanto, 90% dos tumores malignos de boca e faringe são explicados por ingestão excessiva de álcool, abuso de fumo e uma dieta pobre em verduras e frutas. No entanto, a dieta vegetariana exclusiva não está associada a menor risco de câncer. É preferível uma dieta diversificada, ou seja, que contenha um pouco de cada tipo de alimento.

A ingestão de alimentos muito condimentados, carnes processadas, assim como alimentos muito gordurosos aumenta o risco desse tipo de câncer. Da mesma forma, os cereais derivados do arroz e a ingestão de vegetais ricos em amido, como a batata, podem contribuir para um risco maior, embora as evidências não sejam muito conclusivas.

O tempero cúrcuma é um alimento muito promissor, pois tem ação importante como anti-inflamatória, antioxidante e antiviral, podendo ser protetor contra o câncer.

A ingestão de bebidas muito quentes como o mate, bem como de alimentos muito quentes, favorece o aparecimento de câncer de boca, faringe e laringe. Não se sabe ao certo se o mate predispõe ao câncer de boca, faringe e laringe pela temperatura em que é ingerido ou se há também fatores químicos envolvidos. O chá preto e o verde têm efeito protetor.

A dieta mediterrânea está associada a baixos riscos de câncer de boca, faringe e laringe.

Embora altos níveis de vitamina A no sangue sejam protetores, a suplementação da dieta com vitamina A tem resultados conflitantes, pois em alguns estudos protege contra o câncer e em outros, aumenta seu risco. Já os compostos pró-vitamina A, como os carotenoides (alfacaroteno e betacaroteno), parecem ter efeito protetor, revertendo, inclusive, lesões precursoras de câncer na boca e cavidade oral.

Alguns estudos mostram que a suplementação de vitamina C é protetora, assim como a de selênio. Já a ação da vitamina E é inconclusiva.