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Agência Onconews / Sergio Azman

Publicado em 26/10/2015

Revisado em 16/04/2019

Vacina contra HPV é segura e eficaz

Segundo dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer), a cada ano são registrados cerca de 15 mil novos casos de câncer de colo do útero, o terceiro tipo de câncer mais comum entre as mulheres brasileiras. A boa notícia é que a infecção pode ser prevenida por meio de uma vacina segura e eficaz. A vacinação também pode prevenir diversos outros tipos de câncer atribuídos à infecção por HPV. Os tipos 16 e 18 do vírus, contemplados na vacina, são responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo de útero, 40% a 50% dos cânceres vulvares, 70% dos cânceres vaginais, 85% dos casos de câncer anal, 50% dos cânceres de pênis e 40% dos cânceres de cabeça e pescoço.

A vacina adotada pelo PNI (Programa Nacional de Imunização) está inserida em 62 programas públicos de vacinação em todo o mundo, com mais de 175 milhões de doses já aplicadas desde 2006. “A OMS (Organização Mundial da Saúde) acompanha o perfil de segurança das vacinas disponíveis, e recomenda altas coberturas para melhores resultados e maior efetividade dos programas de imunização”, explica a infectologista Rosana Richtmann.

Vacinação pública contra o HPV no Brasil

O Ministério da Saúde disponibiliza a vacina HPV 6, 11, 16, 18 para meninas de 9 a 13 anos, durante todo o ano, em todas as Unidades Básicas de Saúde e, dependendo do município, também em escolas públicas e privadas. O esquema padrão é de três doses, com intervalo de 2 meses entre a primeira e a segunda, e de 4 meses entre a segunda e a terceira (0-2-6 meses). Quem não tomou no período indicado não precisa reiniciar o esquema, mas deve terminá-lo ou não terá a proteção máxima contra a infecção.

A faixa etária selecionada foi de 9 a 13 anos pois a vacina é altamente eficaz nas meninas desse grupo ainda não expostas ao HPV. Além delas, também podem receber gratuitamente o imunobiológico todas que tenham HIV e idade entre 9 a 26 anos. Meninas com 14 anos que iniciaram o esquema vacinal em 2015 devem receber a segunda dose neste ano, e mulheres com HIV com 27 anos que iniciaram a vacinação aos 26 anos também devem completar o esquema.

Estudos com mulheres infectadas também mostram que o imunobiológico previne a reinfecção ou a reativação da doença relacionada ao HPV. Por enquanto, a vacina ainda é contraindicada a gestantes, pois não houve testes nessa população específica. Quanto à amamentação, não há restrições.

Eficácia e segurança

98% é o percentual de eficácia da vacina contra os HPVs tipos 6, 11, 16 e 18 nos estudos de Fase II e III com 25 mil mulheres em diversos países, inclusive no Brasil.

Mais de 200 milhões de doses aplicadas em homens e mulheres demonstraram que a vacina tem um bom perfil de segurança. As reações são pouco frequentes e o quadro costuma ser leve: dor, vermelhidão e edemas próximos ao local da injeção, dor de cabeça e febre. Todas as possíveis reações severas notificadas até hoje foram investigadas e a relação com a vacina foi descartada.

“É importante destacar que as vacinas passam por rigorosos estudos que envolvem milhares de pessoas, de diferentes partes do mundo. Além disso, quando chegam ao mercado — a exemplo de todos os medicamentos — o imunobiológico é monitorado para verificar se ele aumentou a incidência de alguma doença”, explica Rosana.

Onda Contra o Câncer

Para reafirmar a efetividade da vacina contra o HPV na prevenção do câncer de colo do útero e destacar a importância de receber todas as doses, a SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações — em parceria com a SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), SBi (Sociedade Brasileira de Infectologia) e Febrasgo (Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia) — lançou a campanha “Onda Contra o Câncer“.

“Queremos fornecer à população o máximo de conhecimento para acabar com os mitos que ainda cercam o imunobiológico. O acesso fácil a discursos distorcidos muitas vezes deixa as famílias e as próprias meninas com medo de se proteger”, afirma a presidente da SBIm, Isabella Ballalai.

A campanha será realizada exclusivamente online, por meio do Facebook, Twitter, Instagram, Snapchat, além de sites, blogs e do Youtube. Entre as ações estão vídeos nos quais especialistas abordam os principais aspectos do HPV e apontam os erros dos argumentos contrários à vacinação. Após assistir, o internauta poderá debater e tirar eventuais dúvidas nas redes sociais.

Para mais informações, visite: www.ondacontracancer.com.br