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Valeria Hartt

Publicado em 28/01/2015

Revisado em 08/03/2017

Atividade física aumenta chance de cura do câncer colorretal

Pacientes e médicos querem saber como podem melhorar as chances de cura após o diagnóstico de câncer colorretal e reduzir o risco de recorrência da doença. Está cada vez mais claro que o estilo de vida interfere no tratamento da enfermidade e os pacientes que se dedicam regularmente à prática de atividades físicas têm resultados superiores aqueles que ficam horas em frente à TV.

O problema é que parte dos pacientes de câncer colorretal ainda ignora as recomendações das principais sociedades médicas internacionais, todas unânimes em reconhecer a importância da atividade física no sentido de aumentar as chances de cura. Alheios às orientações de conduta, muitos mantêm um comportamento sedentário. É o que aponta estudo realizado pelo instituto nacional de saúde dos Estados Unidos, confirmando que o hábito de assistir à televisão esteve associado com a pior sobrevida entre os pacientes pesquisados.

Estimativas obtidas a partir de uma meta-análise recente demonstraram a associação inversa entre a mortalidade e o tempo livre dedicado a atividades físicas e de lazer. A atividade física participa com uma redução de até 60% no risco de morte pela doença, mas ainda existem lacunas para compreender as razões dessa importante margem de benefício.

Por outro lado, o tempo em frente à TV e o sedentarismo estão associados ao aumento do risco de morte. O estudo mostrou um crescimento de 30% no risco de morte com seis horas por dia de sedentarismo, confirmando como uma abordagem comportamental pode ser importante durante o tratamento, complementando os cuidados médicos com a mensagem da prática regular de atividades físicas e de lazer.

Métodos e resultados

A análise final considerou os dados coletados no pré-diagnóstico de 3.797 pacientes com câncer colorretal, além de dados de 1759 pacientes após o diagnóstico. O questionário de gestão de risco considerou aspectos relativos ao estilo de vida e à prática de atividades físicas, prevendo desde exercícios moderados aos mais vigorosos, com itens como tênis, golfe, ciclismo, natação, jardinagem ‘pesada’, caminhada acelerada, dança e outras atividades aeróbicas.

O sedentarismo também foi avaliado de acordo com o tempo de permanência assistindo TV, vídeos ou DVD.

Os sobreviventes de câncer colorretal que no pré-diagnóstico relataram a prática de mais de 7 horas semanais de atividades físicas e de lazer apresentaram risco 20% menor de morte por qualquer causa. No pós-diagnóstico, aqueles que dizem não ao sedentarismo e dedicam semanalmente 7 horas ou mais às atividades físicas têm um risco de morte 31% menor, independentemente da rotina física no pré-diagnóstico.

No entanto, a TV traz resultados negativos. Entre os pacientes que declararam assistir mais de cinco horas por dia de TV antes do diagnóstico, o risco de morte aumentou 22%. Aqueles que após o diagnóstico optaram por passar horas diante da TV também apresentaram os piores resultados, com aumento de 25% no risco de morte.

Mais de 55% dos pacientes avaliados pelo relatório revelaram assistir a três horas por dia de TV, o que sugere a necessidade de um trabalho comportamental, para conscientizar os pacientes de câncer colorretal sobre a importância da prática regular de atividades físicas.

Para o oncologista Antonio Carlos Buzaid, o estudo reforça o alerta a médicos e pacientes para incorporar atividades físicas e de lazer ao tratamento. “O estilo de vida é fundamental e uma rotina de exercícios deve estar sempre associada ao tratamento clínico, pois aumenta as chances de cura”, enfatiza.