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Agência Onconews / Sergio Azman

Publicado em 29/10/2015

Revisado em 08/03/2017

Carnes processadas podem aumentar risco de câncer

A Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (do inglês, IARC), ligada à OMS (Organização Mundial da Saúde), declarou que o consumo de carne processada é cancerígeno. Segundo a agência, existem evidências suficientes e convincentes de que a carne processada – aquela que foi curada, salgada, fermentada ou defumada, como bacon, linguiça, presunto, salsicha, carne enlatada, carne em conserva e molhos à base de carne — está associada com aumento do risco de câncer colorretal. O grupo também observou uma associação entre seu consumo e câncer de estômago.

“A declaração da OMS confirma aquilo que nós, oncologistas, já sabíamos. Sempre alertamos os pacientes sobre os riscos do consumo exagerado”, afirma Antonio Carlos Buzaid, chefe geral do Centro Oncológico Antônio Ermírio de Moraes.

Assista ao comentário do dr. Fernando Maluf sobre a decisão da OMS

A agência classificou ainda a carne vermelha (incluindo carne bovina, vitela, porco, cordeiro, carneiro, cavalo e cabra) como provavelmente cancerígena, baseada em dados epidemiológicos substanciais que mostram uma associação positiva entre seu consumo e o câncer colorretal. Aumentos no risco de câncer de próstata e pâncreas também foram observados, mas a carne vermelha não obteve a mais alta classificação cancerígena porque alguns estudos de alta qualidade não encontraram associação. Se uma relação entre câncer e carne vermelha for definitivamente estabelecida, a agência estima que cada porção diária de 100 gramas de carne vermelha pode aumentar o risco de câncer em cerca de 18%.

O grupo de trabalho, composto por 22 especialistas de 10 países reunidos pelo Programa de Monografias IARC, realizou uma revisão profunda da literatura científica. Os pesquisadores consideraram cerca de 800 estudos que investigaram associações de mais de uma dúzia de tipos de câncer com o consumo de carne vermelha ou de carne processada em muitos países e populações com diferentes dietas. Os peritos concluíram que cada porção de 50 gramas de carne processada consumida diariamente aumenta o risco de câncer colorretal em 18%. E este risco aumenta quanto maior a quantidade de carne consumida.

“Tendo em vista o grande número de pessoas que consomem carnes processadas, o impacto global sobre a incidência de câncer é muito importante. Já existem recomendações que aconselham a ingestão limitada de carne processada e carne vermelha por sua relação com problemas cardíacos, diabetes e outras doenças. Agora, estes resultados podem contribuir com recomendações de saúde pública para limitar a ingestão de carne também por sua relação com o câncer”, afirma Buzaid.

Segundo a agência, não há informação suficiente para dizer se os riscos são maiores ou menores entre os diferentes tipos de carne vermelha ou processada, nem se os riscos são diferentes em grupos específicos — mulheres, homens, crianças, idosos ou pessoas que já tiveram câncer. A agência também afirma que não estudou as eventuais relações entre o consumo de aves ou peixes e câncer.

Consumo moderado

Tornar-se vegetariano não é necessariamente a solução para a saúde perfeita. Segundo a OMS, tanto as dietas vegetarianas como aquelas que incluem carne têm diferentes vantagens e desvantagens para a saúde.

Apesar de potencialmente aumentar os riscos de câncer, a carne vermelha tem valor nutricional. Portanto, esses resultados são importantes para permitir que governos e agências reguladoras realizem avaliações de risco, a fim de equilibrar os riscos e os benefícios e fornecer as melhores recomendações dietéticas possíveis.

“Limitar o consumo de carne processada e carne vermelha pode ser benéfico, mas não é necessário interromper completamente seu consumo, virar vegetariano. O ideal é o consumo mínimo, com bom senso”, conclui Buzaid.

Um resumo das avaliações finais está disponível on-line no The Lancet Oncology (http://www.thelancet.com/journals/lanonc/article/PIIS1470-2045(15)00444-1/fulltext – em inglês), e as avaliações detalhadas serão publicadas no Volume 114 das Monografias IARC.