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Publicado em 11/01/2018

Revisado em 11/01/2018

Rio Grande do Sul é estado com maior taxa de mortalidade por câncer colorretal em mulheres

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O câncer colorretal é um dos tumores mais comuns no mundo todo. No Brasil, são 34.280 novos casos a cada ano, sendo o segundo mais comum na mulher (17.620) e o terceiro mais frequente no homem (16.660), de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA). O Rio Grande do Sul é o estado com a maior taxa de mortalidade pela doença em mulheres. Já Roraima, Acre e Amapá são os estados com os menores índices.

Dados do Observatório de Oncologia mostram que a taxa de mortalidade no Rio Grande do Sul é de 1,5 a cada 10.000 mulheres, ou seja, 838 mortes por ano em números absolutos. Em relação à incidência, são 3.190 novos casos por ano no estado (1.680 mulheres e 1.510 homens) e 660 em Porto Alegre (370 mulheres e 290 homens), números que fazem da cidade a capital brasileira com maior registro de câncer colorretal entre as mulheres.

O alerta estimula a realização de campanhas de prevenção e conscientização em todo o Estado há alguns anos. Agora em 2018, os postos de saúde de Porto Alegre devem começar a disponibilizar o exame que detecta sangue oculto nas fezes, como forma de triagem para o rastreamento de pacientes com maior chance desenvolver o tumor. A coloproctologista Marlise Cerato Michaelse, membro titular da Sociedade Internacional de Cirurgiões Colorretais, explica que o resultado positivo indica uma chance de 3 a 4 vezes maior para alguma alteração no intestino, com a recomendação de colonoscopia. A médica ressalta que cerca de 40% têm prognóstico negativo, principalmente pelo diagnóstico tardio, que prejudica o sucesso do tratamento e diminui a sobrevida do paciente.

O estilo de vida dos gaúchos interfere diretamente nos números. “A dieta rica em carnes vermelhas, embutidos e comidas processadas, pobre em vegetais e fibras, aumenta o risco de aparecimento desse tumor. “O Rio Grande do Sul, então, talvez tenha uma dieta mais propensa ao desenvolvimento da doença”, explica o oncologista Fernando Maluf, um dos fundadores do Instituto Vencer o Câncer.

A melhor forma de prevenir o câncer colorretal é ter uma alimentação adequada, evitar a obesidade, praticar regularmente exercícios físicos e não fumar, uma vez que o tabagismo também aumenta a chance desse tipo de tumor aparecer.

Outros fatores de risco para esse tipo de tumor são: presença de pólipos, história familiar, retocolite ulcerativa e doença de Crohn.

Sintomas e Rastreamento

Sangue nas fezes, diarreia e constipação persistentes, anemia, perda de peso, fraqueza e dores abdominais, podem ser sinais de câncer colorretal. No estágio inicial, a doença pode ser assintomática. Na fase avançada, pode atingir ossos, fígado e pulmão.

O diagnóstico precoce é importante para o sucesso do tratamento. Mas para determinar quando uma pessoa deve começar a fazer os exames de rastreamento e quais serão indicados é preciso avaliar o risco que ela tem de desenvolver a doença.
A colonoscopia é um dos exames de rastreamento. Ela detecta lesões e permite a retirada de pólipos se forem encontrados. A Sociedade Brasileira de Coloproctologia recomenda que o exame comece a ser feito a partir dos 50 anos, quando não há casos de câncer colorretal e pólipos na família. Se houver histórico familiar, a entidade recomenda a partir dos 40 anos.

O tratamento dependerá do estágio da doença e da localização do tumor e pode consistir em cirurgia, quimioterapia e radioterapia. “O tumor tem vários gatilhos para crescer, invadir e causar metástase. O bloqueio de um desses gatilhos pode ser importante para inibir o crescimento do tumor e até reduzi-lo. Isso pode ser feito com a chamada terapia-alvo, direcionada para um alvo específico”, acrescenta o oncologista Fernando Maluf.