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4Press

Publicado em 11/10/2018

Revisado em 11/10/2018

Anos após seu diagnóstico de câncer, mãe vê doença inspirar boa ação do filho

Menino sentado em cadeira de cabeleireiro após doar seu cabelo.

Anos após um linfoma, mãe vê doença inspirar ação comovente do filho.

Onze anos separam o diagnóstico de um linfoma não-Hodgkin de Cristiane Ibrahim de uma bela ação do seu filho Lucas, 12 anos, que deixou o cabelo crescer durante um ano para doar. “Eu queria ajudar as pessoas que estão sofrendo”, disse Lucas com o cabelo já cortado, após fazer a doação durante o 5º Congresso Todos Juntos Contra o Câncer.

“Na escola, os amigos me chamavam de loira”, lembra do início, quando ficou chateado, mas decidiu esperar que eles parassem com as brincadeiras. Enquanto cortava o cabelo, seu único pensamento era que iria ajudar muito as pessoas. “Isso me deixou feliz”.

Felicidade é pouco para descrever o sentimento da mãe que via, bastante emocionada, o filho doar o cabelo. “Ele enfrentou as críticas. Isso é valor humano. É a sementinha que você planta e vê que está brotando: o olhar para o outro. Tenho muito orgulho”.

Menino alisando sua cabeça após doar cabelo para pacientes com câncer.

“Não quero nunca mais tossir”

Cristiane tinha uma tosse que não passava com nada e a deixava desesperada. Depois de ir a vários médicos, estava na sala de espera do pediatra dos filhos, que havia sido o seu também, quando ele indicou que ela fosse fazer raio X de tórax. “Ali já viram espaçamento no mediastino, onde estava o tumor”, recorda. O diagnóstico chegou quando tinha 35 anos e dois filhos: Juliana, de 7 anos e Lucas, então com 1 ano e meio.

Fez seis ciclos de quimioterapia e 20 de radioterapia. Após 7 anos do início do tratamento, recebeu alta. “Quando o médico fala que o exame está negativo, não tem emoção igual”. Ela comenta que mesmo depois de tanto tempo, se tem uma tosse, entra em desespero. “Não quero nunca mais tossir”.

Uma forma que encontrou para conviver melhor com esse temor de o câncer voltar é levar a outros pacientes a informação de que o tratamento é difícil, mas pode dar certo. “As pessoas só falam quando deu errado; quando você diz que está com câncer, chega sempre alguém para contar de uma pessoa que morreu. Gosto de dizer: ‘Eu tive e estou viva’”.