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Imprensa do A.C Camargo Câncer Center

Publicado em 07/08/2015

Revisado em 21/06/2019

Colesterol alto aumenta risco de cânceres de mama e de intestino

Reduzir o colesterol não previne somente doenças cardiovasculares, como infarto e derrame, mas também ajuda a reduzir o risco de câncer, principalmente de mama e de intestino. O alerta do endocrinologista do A.C.Camargo Cancer Center, Danilo de Souza Aranha Vieira, vem a calhar no Dia Nacional de Combate ao Colesterol, celebrado em 8 de agosto.

O colesterol é uma molécula presente no sangue e em todos os tecidos. É essencial para o processo de regeneração das células, produção de hormônios, vitamina D e de ácidos envolvidos na digestão. No entanto, ele pode ser um alimento para as células cancerígenas. A prevenção consiste em adotar uma alimentação equilibrada e evitar o excesso de peso. “A adoção de um estilo de vida saudável não só melhora o perfil do colesterol como também ajuda a prevenir outros fatores de risco, como o diabetes e a obesidade, que também contribuem para o desenvolvimento de tumores”, afirma o especialista.

Em estudo, mulheres que usavam estatinas tiveram mortalidade por câncer 22% menor. Dr. Maluf explica no vídeo: ASCO 2015: Colesterol e Câncer

Colesterol elevado e obesidade podem desencadear alterações celulares que levam a diversos tipos de câncer. Esse processo de carcinogênese (formação tumoral) ocorre por haver excesso de gordura corporal que aumenta os níveis circulantes de diversos hormônios, como insulina, leptina, estrogênio e fatores de crescimento (IGF-1), estimulando a proliferação celular desenfreada e inibindo a apoptose (morte celular programada). “Quando há obesidade, principalmente a abdominal, há uma série de marcadores que, quando presentes, podem caracterizar a síndrome metabólica. Essa reflete uma condição que aumenta o risco de doença do coração e de câncer”, reforça.

A dieta equilibrada deve ser rica em fibras, com maior quantidade de frutas, legumes, verduras e oleaginosas (nozes e castanhas), além de substituir os carboidratos simples (como arroz branco) por alimentos integrais. Por sua vez, deve ser restritiva em gorduras saturadas (os principais causadores de “colesterol ruim”, o LDL), muito presentes nas gorduras animais encontradas, por exemplo, na carne vermelha. No caso das fibras, se não for possível consumi-las constantemente, pode-se optar pelas fibras solúveis disponíveis na farmácia, sempre sob a orientação de um especialista. No caso do azeite e das oleaginosas, o consumo deve ser sempre de pequenas quantidades.

Outras dicas são restringir consideravelmente o consumo de doces e priorizar a ingestão de carnes magras e laticínios com níveis reduzidos de gordura, de preferência desnatados. Tubérculos como batata, inhame e mandioca e peixes marinhos, como atum, sardinha e salmão, que são ricos em Ômega-3, também são indicados. “É fundamental que a dieta seja associada à prática frequente de atividade física”, destaca o endocrinologista.

Grupo de risco

Alguns indivíduos, mesmo seguindo todas as orientações, podem desenvolver um quadro de desequilíbrio do colesterol.  E a explicação está na genética. “Uma parcela de pacientes traz risco aumentado e, sob orientação médica, o tratamento pode incluir a estatina, uma medicação que comprovadamente reduz o colesterol ruim. Há também evidências de que ela ajuda a prevenir o câncer de mama e de intestino nesse grupo de alto risco”, observa o dr. Danilo.

Rastreamento

É recomendável realizar o exame de dosagem de colesterol como estratégia de rastreamento em pacientes em torno de 30 anos com fatores de risco como tabagismo, hipertensão e história familiar de doença coronariana. Para os indivíduos que não possuem risco aumentado, o exame é indicado em torno dos 40 anos.