Câncer / Notícias

Publicado em 01/10/2018

Revisado em 03/10/2018

Outubro Rosa: momento de conscientizar, prevenir e também conhecer o que há de novo em tratamentos para o câncer de mama

Quatro mulheres segurando juntas um laço rosa, símbolo do Outubro Rosa.

Diretor do Instituto Vencer o Câncer explica avanços que permitem diminuir o uso de quimioterapia.

 

Começamos mais um Outubro Rosa, uma nova oportunidade de se unir ao movimento mundial que há quase três décadas alerta sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. Houve muitos avanços nos tratamentos desde o lançamento por uma fundação americana, em 1991, do laço cor-de-rosa que virou símbolo da campanha, e mesmo desde o surgimento da iniciativa no Brasil, com a iluminação de monumentos na cor rosa em 2002 para alertar sobre a importância de se dar mais atenção a esse tumor.

Apesar dos muitos avanços em relação à doença, o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres no Brasil e no mundo, ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 59.700 novos casos no país em 2018. O Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) registrou 14.388 mortes por esse tumor em 2013, sendo 181 homem e 14.206 mulheres.

Mesmo nesse cenário de aumento de incidência, há boas notícias. “A cura nos tumores iniciais de mama é bastante alta e estamos melhorando muito no tratamento do câncer de mama avançado”, avisa o oncologista Antonio Buzaid, um dos fundadores do Instituto Vencer o Câncer (IVOC). Conhecer o que há de novo sobre a doença ajuda pacientes e médicos a buscarem melhores soluções para cada caso.

O oncologista comentou sobre alguns desses importantes avanços no tratamento em entrevista durante o VII Simpósio Internacional Multidisciplinar de Câncer de Mama, realizado no final de setembro, em São Paulo. “O nosso congresso de mama tem a finalidade de atualizar os médicos e permitir um debate amplo, livre, onde se pode gerar consensos e apresentar os novos paradigmas do tratamento do câncer de mama”.

Entre os avanços, Buzaid destaca os inibidores de CDK4/6 e as assinaturas genéticas: “Eles mudam o modo como tratamos o câncer, permitindo reduzir o uso de quimioterapia nos tratamentos”, diz.

Quanto aos inibidores, ele explica que temos dois aprovados: Palbociclibe e Ribociclibe. Eles são indicados para pacientes com neoplasia de mama avançada, pois melhoram o tempo livre de progressão em combinação com hormonioterapia. Os inibidores de CDK4/6 podem permitir adiar o uso de quimioterapia nos tratamentos.

“As assinaturas genéticas também são importantes para diminuir as aplicações de quimioterapia”, avisa Buzaid. Ele cita o estudo TAILORX, FASE III, que demonstrou que para alguns tipos de tumores em estágio inicial, em muitos casos, após a cirurgia não é necessário o uso de quimioterapia. Com um exame genético os médicos podem avaliar a possibilidade de tratar a paciente com terapia hormonal, que apresenta menos efeitos colaterais. Segundo o estudo, a quimioterapia pode ser evitada em cerca de 70% dos casos, considerando uma análise de 21 genes do tumor.

Veja aqui mais informações do oncologista Antonio Buzaid sobre os tratamentos disponíveis para o câncer de mama.