Câncer / Notícias

4Press

Publicado em 07/12/2018

Revisado em 07/12/2018

Dezembro Laranja: Não precisamos sentir na pele para mudar essa estatística

Close na mão de uma mulher passando protetor solar no próprio braço.

Enquanto no mundo o câncer de pele não melanoma representa 5,8% dos casos, no Brasil corresponde a 30% dos tumores. Basta uma barreira para estancar esses números.

No mundo, o câncer de pulmão é o que tem maior incidência quando consideramos homens e mulheres (11,6% do total), seguido de câncer de mama (11,6%), próstata (7,1%), cólon (6,1%) e pele não melanoma (5,8%), segundo o levantamento Globocan 2018, divulgado pela Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer (IARC), entidade ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS).

No Brasil, país tropical com temperaturas elevadas durante boa parte do ano, o tumor mais frequente é o câncer de pele não melanoma, correspondendo a quase 30% de todos os tumores malignos. A estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) é a ocorrência de 600 mil novos casos de câncer para cada ano do biênio 2018-2019. Desse total, 170 mil por ano são de câncer de pele não melanoma.

“A principal causa de câncer de pele é a exposição aos raios solares, também chamados de raios ultravioleta. Esses raios agridem a pele, causam um dano às células normais da pele e ao DNA da célula, podendo levar ao desenvolvimento de um tumor. Por isso, a melhor forma de prevenção é evitar a exposição a esses raios solares”, avisa Rafael Schmerling, oncologista clínico da Beneficência Portuguesa de São Paulo, integrante do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer e vice-presidente do Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM).

Além de evitar a exposição solar nos horários em que o sol é mais intenso – entre 10 horas e 17 horas – a recomendação é utilizar algum tipo de barreira para proteger a pele, seja física (camiseta de manga longa, chapéus), buscar locais com sombras ou aplicar protetor solar.

A médica dermatologista assistente do serviço de Dermatologia da Santa Casa de São Paulo e do núcleo de câncer da pele do A.C. Camargo Câncer Center, Adriana Pessoa Mendes Eres, lembra que é preciso usar protetor mesmo em dias nublados. “Amanheceu, tem radiação ultravioleta; 90% da radiação ultravioleta ultrapassa as nuvens”.

A indicação da dermatologista para o uso do protetor é aplicar meia hora antes de sair de casa um filtro solar com fator acima de 30 ou 50 e, para quem vai ficar exposto ao sol, reaplicar a cada duas horas. “Vai começar o verão, as pessoas vão à praia, piscina; têm que usar o protetor antes de sair, no corpo todo, em todas as regiões. Não esquecer dorso dos pés, pescoço, orelhas, áreas que a gente acaba esquecendo”.

Quanto às barreiras físicas, Adriana, que também faz parte do GBM e do Programa Juntos Contra o Melanoma, lembra que atualmente há grande variedade de roupas com proteção UV no mercado. “Uma camiseta normal tem fator de proteção em torno de 15. As roupas com proteção UV têm fotoproteção 50 em relação ao ultravioleta. Hoje em dia temos chapéus, camisetas, roupas de ginástica, saída de banho; só se queima quem realmente quer”, diz. “Lógico que todo mundo quer se divertir, aproveitar o verão. A intenção é se expor de maneira racional, adequada, protegendo-se para prevenir um câncer da pele”.

Contornos do câncer mais frequente no país

Rafael Schmerling explica que o câncer de pele mais comum é o carcinoma basocelular, seguido pelo carcinoma espinocelular e depois o melanoma – que tem maior risco de morte. “O melanoma é o câncer que se apresenta na forma de uma pinta – normalmente uma pinta escura, que cresce e que tem características diferentes das outras pintas normais. Os carcinomas podem aparecer como nódulos, normalmente nódulos rugosos, grosseiros, ou mesmo como pequenas feridas que não se resolvem”.  O maior fator de risco para o melanoma na fase adulta são as queimaduras solares na infância e adolescência.

O oncologista chama atenção ao fato de que quando diagnosticado precocemente, o câncer de pele tem grandes chances de cura. “Ao detectar uma pinta em crescimento, uma pinta que é diferente das outras ou nódulos de pele, ou ainda uma ferida que não se resolve, deve-se procurar um médico para avaliação e diagnóstico precoce”.

Pessoas que têm maior risco de desenvolver câncer de pele:

– com pele clara, olhos claros

– idosas

– com doenças da imunidade

– com muitas pintas

– com antecedente familiar

– que já tiveram câncer de pele

– que tiveram queimaduras solares na infância

– que fizeram bronzeamento artificial

– com situações raras, genéticas – por exemplo albinismo, xeroderma pigmentoso, síndrome do nevo basocelular (Gorlin-Goltz).