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Valeria Hartt

Publicado em 10/03/2015

Revisado em 22/05/2019

Incontinência urinária depois do câncer de próstata

A incontinência urinária é frequente em homens tratados com cirurgia ou radioterapia para o câncer de próstata. Imediatamente após a prostatectomia radical, cirurgia que remove completamente a glândula, parte dos homens vai experimentar algum grau desse problema. A boa notícia é que, na maioria dos casos, essa é uma situação temporária. Por outro lado, uma parcela desses indivíduos não consegue recuperar o controle urinário e sofre com a incontinência, muitas vezes por desconhecer que existem maneiras de tratar o problema.

Veja o infográfico que explica como funciona o esfíncter artificial

Quem explica é o urologista Paulo Rodrigues, um dos grandes especialistas brasileiros em distúrbios da micção. “A melhoria mais significativa ocorre nos primeiros três meses após a prostatectomia radical, e normalmente a maioria dos homens estará continente no prazo de seis meses. No entanto, pode haver perda urinária leve ou moderada às vezes até um ano após a cirurgia”, diz Rodrigues. Durante essa fase, o médico recomenda medidas conservadoras, que contribuem para acelerar a recuperação. “São treinamentos para fortalecer a região e programas de reeducação esfincteriana que ajudam durante a fase pós-prostatectomia.” [relacionados]

O urologista também alerta para a existência de diferentes graus de gravidade do problema e de variações de incontinência urinária. Após o tratamento do câncer de próstata, os dois tipos mais comuns são a incontinência de esforço e a de urgência. No primeiro caso, a perda involuntária de urina acontece durante uma atividade física ou em situações que exigem uma pressão maior sobre a bexiga, como uma boa gargalhada ou até mesmo durante um espirro. Já a situação de urgência é mais comum em homens tratados com radioterapia e acontece quando espasmos e contrações involuntários da bexiga promovem uma súbita necessidade de urinar. Seja qual for o cenário, o problema afeta seriamente a qualidade de vida dessa população e traz um estigma que costuma levar ao isolamento social.

Felizmente, há uma série de opções altamente eficazes para o tratamento da incontinência pós-prostatectomia ou após a radioterapia, desde abordagens comportamentais, como o controle da ingestão de líquidos, exercícios fisioterápicos, abordagens minimamente invasivas e até o tratamento cirúrgico. Sempre vale à pena buscar ajuda. “Hoje em dia, ninguém precisa sofrer calado com a disfunção miccional. Muita gente pode ajudar e tratar a incontinência urinária, fornecendo conforto físico e emocional aos pacientes que venceram o câncer de próstata”, diz Marlene Oliveira, do Instituto Lado a Lado pela Vida.

O Instituto está à frente do programa “Xi, escapou”, que tem a proposta de disseminar a importância da conscientização sobre incontinência urinária. Marlene explica que o problema não afeta apenas os homens após o tratamento do câncer de próstata. Uma em cada 25 pessoas sofre com a doença, que é ainda mais frequente entre as mulheres. “O principal é preservar a autoestima e a qualidade de vida”, afirma.

Para fugir do isolamento, o primeiro passo é buscar apoio. Nesse caso, o urologista é o profissional mais indicado para orientar sobre o melhor tratamento, de acordo com o quadro clínico de cada paciente.

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Esfíncter artificial. Um manguito comprime a uretra; para aliviar a compressão e possibilitar a micção o paciente aperta um dispositivo colocado embaixo da pele do escroto.

Para homens com perdas urinárias contínuas ou em grande volume, o esfíncter artificial aparece como a melhor opção de tratamento, hoje considerado o padrão ouro para casos graves de incontinência masculina. O uso do esfíncter artificial permite a possibilidade de retomar as atividades cotidianas com conforto e segurança. É possível programar a tão sonhada viagem ou desfrutar de uma simples sessão de cinema. “É o melhor recurso hoje disponível e boa parte dos homens têm um ganho significativo na qualidade de vida”, esclarece o Dr. Paulo Rodrigues.

O procedimento é de alto custo e ainda não está disponível para pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde), mas desde janeiro de 2014 consta do rol da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), o que significa que os planos de saúde são obrigados a autorizar o tratamento.

Casos leves e moderados

Para incontinência leve ou moderada, o sling uretral se mantém como alternativa terapêutica. “Na prática, de forma bem simplista, o sling é uma malha cirúrgica que ajuda a reforçar a sustentação da uretra e que pode ser fixado através de procedimentos minimamente invasivos”, explica o urologista.

Outra alternativa são as injeções endoscópicas. Indicadas para pacientes selecionados, elas se confirmaram eficazes principalmente para diminuir complicações como infecções urinárias ou doenças renais.

Saber que existem diferentes formas de tratar a incontinência e que o problema é bem mais disseminado do que pode parecer ajuda a quebrar o estigma. Consultar um urologista para uma conversa franca pode poupar muito sofrimento e confirmar que sempre existe solução.

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Sling ajustável. Uma fita de silicone comprime a uretra. Neste caso não há necessidade de acionar um dispositivo na hora de urinar. Indicado em casos de incontinência urinária leve a moderada.