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Publicado em 20/03/2017

Revisado em 21/03/2017

Incontinência urinária é o efeito da cirurgia de retirada de próstata que mais preocupa o paciente

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Em apenas 5% dos casos a incontinência é persistente.

Março é o mês dedicado à orientação sobre incontinência urinária. Cerca de 40 a 60% dos homens que passam por cirurgia para retirada da próstata apresentam algum grau de incontinência. Felizmente, na grande maioria das vezes, ela é temporária. Em apenas 5% dos casos é persistente. “Esse é o efeito da cirurgia que mais preocupa o paciente porque é o que mais afeta a vida social dele”, afirma o urologista Luís Gustavo de Toledo, chefe do serviço de urologia da Santa Casa de São Paulo e integrante do comitê científico da Associação Brasileira pela Continência B.C. Stuart.

A próstata está na região da bexiga e do esfíncter. Noventa por cento dos casos de incontinência em pacientes com câncer de próstata ocorrem por causa de lesão no esfíncter durante a cirurgia. O estágio da doença e a idade do paciente também influenciam. “Após a cirurgia, o homem fica de 7 a 14 dias com sonda. Os pacientes que apresentam incontinência têm reversão do quadro em alguns meses. Depois de um ano, se o problema persistir, é indicado tratamento cirúrgico para incontinência”, explica o urologista Luís Gustavo de Toledo.

É bom lembrar que exercícios que fortalecem a musculatura ajudam o homem a recuperar o controle da urina. “Fazemos um programa de exercícios, biofeedback e eletroestimulação. Isso vai dar mais força para as fibras musculares que restaram. O paciente tem que seguir uma rotina de 10 a 15 minutos por dia e sempre com a orientação do profissional”, afirma a enfermeira estomaterapeuta Gisele Azevedo, vice-presidente da Associação Brasileira de Estomaterapia.

Quando a incontinência é persistente, mas é leve ou moderada, indica-se a colocação de slings na parte inferior da uretra. Nos casos mais graves, é indicada a cirurgia para colocação de um esfíncter artificial.

Outro efeito que pode ser provocado pela cirurgia de retirada da próstata é a disfunção erétil. Quando a radioterapia é utilizada no tratamento, também pode causar impotência. “Os riscos de impotência causada pela radioterapia podem variar de 20% a 60% e depende também do estado de potência pré-tratamento do indivíduo, da idade, das doenças cardiovasculares, se existe ou não diabetes. A impotência acontece gradualmente no curso de dois anos”, afirma o oncologista Fernando Maluf, fundador do Instituto Vencer o Câncer.

“É importante que o homem avalie o quanto a ereção é importante na atividade sexual dele, o que é importante pare ele e para a companheira. O programa de fortalecimento muscular também pode ajudar na recuperação da potência porque vai irrigar tecidos do pênis”, acrescenta a estomoterapeuta Gisele Azevedo.

Quanto mais cedo for diagnosticado o câncer de próstata, maiores são as chances de cura sem efeitos colaterais tão impactantes.