Câncer / Notícias

Viviane Pereira

Publicado em 07/11/2019

Revisado em 07/11/2019

Mitos e verdades sobre a saúde do homem

Conheça alguns mitos e verdades envolvendo a saúde do homem.

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Separamos alguns mitos e verdades que rondam a saúde do homem, além de informações sobre o câncer de próstata, explicados pelo médico Antonio Carlos Lima Pompeo, professor livre docente da Universidade de São Paulo (USP), professor-titular de Urologia da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU 2020 – 2021).

 

Qual a importância do câncer de próstata?
O tumor prostático é o câncer não-cutâneo mais frequente no homem após os 60 anos e constitui a segunda causa de óbito por câncer nessa faixa populacional. Quando diagnosticado precocemente é curável e, por isso, a orientação da Medicina atual é caracterizá-lo, sempre que possível, em fases iniciais.

O toque retal causa dor?
Não, e não deve ser traumático. Fornece informações muito importantes sobre a próstata, que se situa em contato com a parede retal, muito fina, o que permite seu exame em vários aspectos, como tamanho, consistência, presença de nódulos, limites… Estes dados orientam a realização de outros exames complementares (imagem, biópsia) e opções de tratamentos. Estas informações dadas aos pacientes de forma clara facilitam a compreensão e aceitação deste importante exame.

Apenas idosos têm câncer de próstata?
Não. Embora bem menos frequente (5%-10%), esse tumor pode incidir em faixa jovem da população, ou seja, com menos de 50 anos. Abaixo dos 40 anos é muito raro.

Qual é a melhor forma de detectar precocemente o tumor?
Homens com sintomas de alterações miccionais, principalmente dificuldade para urinar e jato urinário irregular, devem procurar o médico para avaliação do problema, que pode ter várias origens, inclusive câncer. Homens sem sintomas devem iniciar exames a partir dos 50 anos e aqueles com parentes próximos (pai, irmãos, primos, etc.) portadores de câncer de próstata ou indivíduos de etnia negra, devem passar por avaliação a partir dos 45 anos.
A avaliação do urologista inclui obter informações do paciente sobre queixas relacionadas à próstata, o exame digital prostático (toque), a dosagem do marcador sanguíneo PSA (que, embora inespecífico, em geral se eleva quando há tumores). Com frequência solicita também exames de imagem, como a ultrassonografia, por ser menos invasiva e de baixo custo. Alterações deste conjunto de dados podem orientar a realização de biópsia, que é o exame confirmatório da presença tumoral.

Homens só precisam ir ao urologista quando estão doentes?
Esta não é uma conduta ideal, principalmente no caso de tumores como o prostático, que podem crescer, o que é frequente, sem dar sintomas. Quando sintomáticos, em geral são avançados e apresentam maior dificuldade terapêutica. O diagnóstico da doença na fase inicial, em que pode ser curada, constitui a meta da Medicina.

A disfunção erétil é problema psicológico?
É comum a influência psicológica como fator de disfunção erétil sem outra causa, principalmente em jovens. Por outro lado, comumente contribui negativamente naqueles que têm outros problemas, ou seja, fatores orgânicos que interferem no funcionamento normal do mecanismo da ereção.

O que pode provocar a impotência sexual?
A impotência pode ser causada por fatores psicológico e orgânicos – desses últimos destacam-se:

  • alterações vasculares, ou seja, a falta de aporte sanguíneo ao pênis, ou mesmo incapacidade deste órgão em reter o sangue, o que denominamos de “escape”;
  • problemas de inervação, quando os nervos não conduzem os estímulos cerebrais para o pênis;
  • alterações hormonais, principalmente deficiência do hormônio masculino, a testosterona;
  • alterações orgânicas, como a hipertensão e o diabetes;
  • uso de medicamentos que interferem com o desejo (libido) e com a ereção; destaca-se o uso de hormônios, anti-hipertensivos, sedativos, antidepressivos, entre outros.

O papel do médico na elucidação desse cenário é mandatório.

Impotência sexual tem solução?
A medicina atual fornece uma série de opções terapêuticas que melhoram acentuadamente a perspectiva dos pacientes com essa queixa. Destaque-se o desenvolvimento de medicações orais que favorecem as ereções, por melhorar a circulação sanguínea local e que são administradas momentos antes de uma relação ou de maneira contínua diária. Reposição hormonal para pacientes que têm níveis baixos da testosterona, que podem ser administrados por injeção com uso prolongado (p. ex. três meses) ou, ainda, por via cutânea, na forma de gel (uso diário). Medicações injetáveis no pênis previamente às relações introduzem estímulos que, por razões múltiplas, não chegaram ao pênis. Cirurgia com colocação de próteses que permitem o estado erétil por curta duração ou permanente, dependendo do tipo utilizado. Suporte psicológico e correção das alterações clínicas e ajuste de medicamentos são mandatórios.

Homens podem ter incontinência urinária?
Assim como as mulheres, os homens também apresentam incontinência urinária, devido a vários fatores que atuam de forma isolada ou concomitantemente.

O que pode provocar incontinência?
Destacam-se as alterações do esfíncter, ou seja, o músculo existente logo abaixo da próstata, que comprimindo a uretra impede as perdas urinárias. Quando esse mecanismo está comprometido, pode provocar incontinência parcial ou total. Isto pode ocorrer em várias situações clínicas – um exemplo típico são as sequelas eventuais da cirurgia da próstata. Por vezes, o próprio aumento prostático dificulta a passagem da urina e o paciente, apesar de ter retenção, apresenta escapes involuntários. Alterações funcionais da bexiga, como a hiperatividade, ou seja, contrações anormais, podem induzir urgência ou mesmo incontinência. Deve-se mencionar que o sistema nervoso central regula a função miccional e alterações deste não raramente influenciam na continência.

Que impacto a incontinência provoca na vida dos homens?
A incontinência urinária traz alterações significativas da qualidade de vida. O paciente permanece com as vestes molhadas, com o cheiro característico da urina que se transmite para sua cama e locais onde se senta. Pode diminuir este impacto negativo usando fraldas ou mesmo sondas uretrais que, no entanto, favorecem infecções urinárias. São comuns as irritações cutâneas pelo contato constante com a urina. Homens com este problema em geral têm dificuldade no convívio familiar e social, do qual comumente se afastam, o que representa alteração importante na sua qualidade de vida. A medicina pode aliviar ou mesmo curar este problema por meio de medicamentos específicos, fisioterapia e eventuais procedimentos cirúrgicos.