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Sergio Azman

Publicado em 12/08/2014

Revisado em 08/03/2017

Próteses para incontinência urinária chegam ao rol da ANS

Aos 60 anos de idade, em 1999, Marcio Silva – nome fictício – descobriu que estava com câncer de próstata. Não havia sintomas, nem suspeita. Um exame de rotina trouxe como resultado o PSA, substância produzida pelas células da glândula da próstata, alterado. Seu médico avaliou o caso e decidiu que a melhor solução seria a cirurgia. O procedimento foi um sucesso, mas uma certa incontinência urinária atrapalhava Márcio. “Não era uma incontinência grave, apenas incomodava. Durante a noite eu conseguia cortar a urina, mas ficava sempre um certo gotejamento”, conta. Dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) mostram que a incontinência urinária afeta 10 milhões de pessoas no Brasil, a maioria mulheres.

Nos homens, a condição está associada ao tratamento cirúrgico para câncer de próstata. Dos pacientes que operam, até 20% ficam com algum grau de perda urinária, normalmente de pequeno volume, e muitos não querem nem se tratar. “Perda pequena é o paciente que deixa escapar um pouco de urina quando tosse ou espirra”, explica Flávio Trigo, urologista e especialista em incontinência urinária do Hospital Sírio-Libanês e Hospital São José, em São Paulo. Segundo Trigo, até um ano após a cirurgia, alguma perda de urina é considerada normal. Após este prazo, caso não tenha recuperado o funcionamento normal do sistema urinário, o paciente deve procurar ajudar médica. “De 6% a 8% dos homens vão continuar apresentando uma perda significativa e irão precisar do tratamento cirúrgico para incontinência urinária”.

Esfíncter urinário artificial

A perda involuntária de urina se deve ao mau funcionamento do esfíncter, músculo em formato de anel que controla o ato de urinar e, por ser muito próximo da próstata, pode ser prejudicado com a cirurgia da glândula. Em casos leves e moderados, o tratamento é feito com slings – malhas cirúrgicas que funcionam como um suporte reforçando a sustentação da uretra — e injeções endoscópicas.

Para os casos mais graves, o tratamento recomendado é colocar uma prótese, chamada de esfíncter urinário artificial, que substitui o mecanismo natural de continência e é considerada padrão-ouro para o tratamento da incontinência urinária masculina. A boa notícia é que desde janeiro de 2014 os procedimentos foram incluídos no rol da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), o que significa que os planos de saúde são obrigados a autorizar o tratamento. “Foi muito importante essa inclusão porque o tratamento é considerado de alto custo”, comemora Trigo. O SUS (Sistema Único de Saúde ainda não oferece o tratamento, mas os especialistas defendem a inclusão do procedimento pelo impacto direto na qualidade de vida do paciente. “Quando ele passa a ter incontinência urinária pós-cirurgia, costumamos dizer que deixou de ter um câncer na próstata e passou a ter um câncer social”, lamenta o especialista, ressaltando a importância da inclusão do procedimento também no serviço público.

Qualidade de vida

Realmente, a incontinência urinária pode trazer impacto importante (e negativo) na vida do paciente. Estudos apontam que doenças no sistema urinário são as que mais afetam a qualidade de vida, perdendo apenas para a depressão. “Uma pessoa com incontinência urinária, por exemplo, se distancia do convívio social”, diz o urologista.

O uso do esfíncter artificial permite uma rotina normal e a possibilidade de retomar as atividades cotidianas, como viajar, ir ao cinema ou participar de uma longa reunião de trabalho. Foi o que aconteceu com Márcio, que implantou o esfíncter artificial há aproximadamente 14 anos, quando o procedimento ainda era novidade. Apesar disso, não sentiu receio. “O médico mostrou alguns casos de sucesso, não relutei em colocar. Tenho uma maneira muito prática de encarar a vida. Se for preciso, vamos fazer”.

Nem sempre é assim. Trigo conta que é muito comum os homens apresentarem resistência para a utilização do método. A maioria não sabe exatamente como funciona, e tem medo de passar por uma nova cirurgia. “Entretanto, é umprocedimento minimamente invasivo, muito menos que a cirurgia da próstata”, explica. Os índices de bons resultados são de até 90%. Márcio endossa as estatísticas e diz que, para ele, nunca apresentou problemas. “Funciona muito bem, não tenho queixas. Vou ao médico uma vez ao ano, apenas para fazer acompanhamento”.

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