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4Press

Publicado em 29/05/2017

Revisado em 26/05/2017

Preocupação com qualidade de vida fez empresário parar de fumar

cigarro

Durante quase 15 anos, o cigarro esteve no dia a dia do gerente de projetos e empresário Renato Vicentini. Ele começou a fumar na adolescência, como acontece na maioria dos casos, e só parou depois dos 30 anos. “Eu comecei, na verdade, por causa dos meus amigos, para fumar com eles. Fumava um maço por dia e às vezes nos finais de semana um pouco mais”, conta. Na família, o pai e o avô também fumavam. O avô, aliás, morreu de enfisema pulmonar provocado pelo tabaco. “No início, eu não me importava se fazia mal ou não, eu era muito novo. Comecei a me importar com a saúde quando fui ficando mais velho. Eu também não queria que meus filhos convivessem com cigarro. Então quando decidimos ter filhos, parei de fumar mesmo”, diz o empresário.

Foram duas tentativas para largar o cigarro. Na primeira, Renato tinha 21 anos e achava que o fumo estava prejudicando seu desempenho no esporte que praticava: o tênis. Parou de um dia para o outro, mas acabou voltando dois anos depois durante um encontro com amigos em um bar.

Na segunda vez, o empresário decidiu ir parando aos poucos. Motivado pela vontade de ter filhos e pelo desejo de ter mais qualidade de vida, Renato foi diminuindo a quantidade de cigarros por dia. “Primeiro, cortei os cigarros da manhã. Depois parei de fumar também no horário de trabalho porque as pessoas reclamavam do cheiro. Aí cortei os da noite também. Fiquei um dia sem fumar, depois uma semana e mais uma até parar de vez”, conta. “Hoje, não suporto nem o cheiro do cigarro. Nem sei como fumei por tanto tempo”, acrescenta.

O empresário conseguiu parar de fumar sozinho, mas a grande maioria dos fumantes precisa de ajuda. “Apenas 3% dos fumantes conseguem parar espontaneamente. Vários fatores podem influenciar nessa interrupção sem ajuda, entre eles um nível alto de motivação que pode ter um caráter individual ou estar ligado a fatores externos como doenças que impedem o uso do cigarro ou a gravidez. Além disso, esses fumantes que largam espontaneamente apresentam boa tolerância aos efeitos da síndrome de abstinência ao tabaco”, explica o psiquiatra Rodrigo de Almeida Ramos, da Santa Casa de São Paulo.

Segundo o psiquiatra, aqueles que precisam de ajuda para largar o cigarro devem procurar um tratamento multidisciplinar que envolva psicoterapia, terapia de reposição de nicotina e até medicações específicas.

“Esse movimento de parar de fumar é importante, mas nem sempre é fácil. Por isso, o fumante que quer largar o cigarro deve procurar ajuda médica. Parar de fumar é extremamente vantajoso para uma vida mais saudável”, afirma o oncologista Fernando Maluf, um dos fundadores do Instituto Vencer o Câncer.

Renato Vicentini não fuma há seis anos e largar o cigarro tornou sua vida mais saudável. Ciclista, ele pedala de 3 a 4 vezes por semana antes de ir para o trabalho e procura ter uma dieta balanceada. “Meu paladar e olfato mudaram bastante depois que parei de fumar. Eu sinto o gosto e o cheiro da comida. Me sinto mais saudável também, mais disposto. Sinto meu corpo mais vivo”, acrescenta.

Cigarro e câncer

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que há 1,1 bilhão de fumantes em todo o mundo e as mortes provocadas pelo tabagismo devem passar de 6 milhões para 8 milhões por ano até 2030, se nada for feito para mudar este cenário. Além de infarto, derrame, enfisema pulmonar e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), o cigarro está associado a mais de 20 tipos de câncer, como: pulmão, garganta, esôfago, estômago, intestino, pâncreas, rim, bexiga e mama.
“Parar de fumar é uma medida muito importante porque o risco do fumante de ter um câncer é muito maior do que o de um ex-fumante. À medida que a pessoa para de fumar e os anos passam, a chance de desenvolver câncer vai decrescendo, ela diminui mês a mês, ano a ano”, enfatiza o oncologista Fernando Maluf.

Ainda segundo a OMS, o tabagismo custa mais de US$ 1 trilhão por ano para economia global, considerando os gastos com saúde e a perda de produtividade.