Tipos de câncer / Câncer de ovário



Dr. Fernando Maluf.

Dr. Fernando Maluf

Dr. Fernando Maluf é Doutor em Ciências/Doutorado em Urologia pela FMUSP, membro associado do American Cancer Society e Diretor do Serviço de Oncologia Clínica do Hospital BP Mirante de São Paulo. Foi Chefe do Programa de Residência Médica em Oncologia Clínica e membro integrante do Centro de Oncologia do Hospital Sírio Libanês. É autor de artigos científicos e de mais de uma dezena livros publicados no Brasil e no exterior, além de Professor Livre Docente pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Câncer de ovário | Tratamento

ESTADIAMENTO

Tendo em vista tais fatores, o diagnóstico conclusivo é feito na cirurgia, que deve permitir a visualização da cavidade abdominal inteira, para que seja possível a retirada do tumor primário, de ambos os ovários, trompas, útero, parte do peritônio e do máximo de lesões porventura presentes entre as alças intestinais. Os quatro estádios da doença estão descritos abaixo:

 

cap16-tab1-jpg-700px

Estadiamento do câncer de ovário.

 

TRATAMENTO

 

 

A principal arma no tratamento do câncer de ovário é a cirurgia. Quando o tumor está localizado apenas no ovário, é possível realizar a cirurgia através de laparoscopia, por meio do emprego de um sistema de câmeras introduzido por uma pequena sonda pela cicatriz umbilical, além de dois a três pequenos cortes acima das virilhas. Se a cirurgia puder ser realizada por essa técnica, a recuperação costuma ser mais rápida: um a dois dias de internação e cerca de três semanas para retorno às atividades habituais.

Nos casos mais avançados, nos quais há comprometimento de outras estruturas abdominais, haverá necessidade de incisão cirúrgica tradicional na região mediana do abdômen. Além da retirada dos ovários, das tubas e do útero, será necessário retirar os linfonodos somente se eles tiverem comprometidos, parte do peritônio e, às vezes, fragmentos de intestino.

Abordaremos somente o tratamento dos tumores mais comuns: cistadenocarcinoma seroso-papilífero, carcinoma endometrioide, carcinoma mucinoso e carcinoma de células claras.

 

Estádios I e II

Quando o câncer atinge apenas um ovário (Estádio IA) e não invade a cápsula que reveste o órgão, a cirurgia conservadora, que retira apenas o ovário e a trompa comprometida, associada ou não à quimioterapia, é o tratamento indicado. Nesse caso, o útero e outro ovário são preservados, possibilitando novas gestações. O cirurgião, no entanto, precisa tomar todas as precauções para estar seguro de que a doença realmente estava restrita ao ovário retirado. Nas mulheres que já atingiram a menopausa, ou estão próximas dela, é mais prudente remover ambos os ovários (cirurgia radical).

Caso o tumor tenha atingido os dois ovários (Estádio IB) ou invadido estruturas próximas dele (Estádio II), deve-se realizar a cirurgia radical com a retirada dos dois ovários e útero, associada à quimioterapia após a cirurgia nos casos dos tumores mais agressivos.

Câncer confinado a um dos ovários (Estádio IA) ou aos dois ovários (Estádio IB) e o tratamento específico para essas fases da doença.

Câncer confinado a um dos ovários (Estádio IA) ou aos dois ovários (Estádio IB) e o tratamento específico para essas fases da doença.

 

Câncer invadindo estruturas próximas do ovário por continuidade (Estádio II) e o tratamento específico para essa fase da doença.

Câncer invadindo estruturas próximas do ovário por continuidade (Estádio II) e o tratamento específico para essa fase da doença.

 

Nas pacientes com tumores bem diferenciados, de tipos histológicos comuns, que não invadem a cápsula ovariana, o prognóstico costuma ser tão bom, que não há necessidade de complementação com outros tratamentos.

Essa conduta não vale para os tumores pouco diferenciados e aqueles com características mais agressivas, como os de células claras, nem para os tumores que invadem a cápsula ovariana e aqueles em que as células malignas estão presentes no líquido abdominal.

Nessas situações, está indicado o tratamento quimioterápico após a cirurgia (adjuvante).

 

  • Quimioterapia adjuvante (pós-operatória)

Alguns esquemas de quimioterapia mostraram ser capazes de aumentar os índices de cura. Os medicamentos mais utilizados são carboplatina, paclitaxel e bevacizumabe, administrados por via intravenosa.

O esquema é bem tolerado mesmo em mulheres com mais de 70 anos, provocando queda de cabelo e, em grau variável, fadiga, náusea, vômito, aftas na boca, predisposição a infecções e formigamento nos dedos das mãos e dos pés. Tem a duração de aproximadamente quatro a cinco meses.

 

Estádio III

  • Cirurgia radical 

Através de uma incisão longitudinal, o cirurgião fará a remoção dos ovários e trompas, útero, linfonodos da pelve e abdômen, da gordura que reveste as vísceras (omento) e de todos os locais em que houver implantes da doença no peritônio, membrana que envolve as vísceras abdominais.

A cirurgia deve procurar remover o máximo de tecido tumoral possível, procedimento conhecido como citorredução cirúrgica. Quanto menor a quantidade de tumor residual, mais eficaz será a quimioterapia. Os melhores resultados são obtidos quando as dimensões dos tumores residuais não ultrapassam um centímetro. Nesses casos, dizemos que a citorredução foi ótima.

A quimioterapia é indicada mesmo quando se retira toda a doença visível, porque sempre existirá doença microscópica.

 

  • Quimioterapia adjuvante (pós-operatória)

Pode ser usada por via intravenosa ou em situações específicas por via intraperitoneal através de um cateter implantado durante o ato cirúrgico, chamado Port-a-Cath, que fica abaixo da pele.

 

  • Quimioterapia neoadjuvante (pré-operatória)

Está indicada nos casos mais avançados, com a finalidade de reduzir as massas tumorais para facilitar a cirurgia.

 

  • Drogas alvo dirigidas

Aproximadamente 15-20% das mulheres com câncer de ovário apresentam mutações dos genes BRCA 1 ou BRCA 2. Existem ainda casos, onde a paciente não nasce com uma destas duas mutações, mas o tumor as expressa. Neste caso, após o fim da quimioterapia para os estádios III e IV, indica-se um remédio chamado olaparibe, que age impedindo que a célula tumoral consiga reparar o dano causado pelos tratamentos. Este tratamento de manutenção, neste grupo de pacientes, consegue diminuir o risco de progressão ou morte pela doença em 70%. (Neide mudar figura dos estádios III/IV).

 

Invasão do peritônio ou dos linfonodos da pelve ou do abdômen e o tratamento específico para essa fase da doença.

Invasão do peritônio ou dos linfonodos da pelve ou do abdômen e o tratamento específico para essa fase da doença.

Estádio IV

Nessa fase, quando o câncer atinge outros órgãos, como pleura, pulmões e fígado, o tratamento de escolha é a quimioterapia. Os esquemas mais utilizados são os que associam carboplatina com paclitaxel. Outras opções incluem doxorrubicina lipossomal peguilada, gencitabina, topotecano, irinotecano, vinorelbina, docetaxel, oxaliplatina, entre outros. Medicações que inibem a vascularização do tumor, como o bevacizumabe, podem ser usados em conjunto com a quimioterapia.

Metástases pulmonares, hepáticas, cerebrais e o tratamento específico para essa fase da doença.

Metástases pulmonares, hepáticas, cerebrais e o tratamento específico para essa fase da doença.

  • Cirurgia citorredutora

A cirurgia pode estar indicada em casos selecionados, com o objetivo de reduzir a massa tumoral ou de resolver complicações como derrames pleurais ou obstrução intestinal.