Tipos de câncer / Câncer de pâncreas



Câncer de pâncreas | Tratamento

ESTADIAMENTO

Os quatro estádios do câncer de pâncreas estão descritos abaixo:

 

Tabela com critérios de estadiamento do câncer de pâncreas.

Estadiamento do câncer de pâncreas AJCC 8º edição (CA: tronco celíaco, CHA: artéria hepática comum, SMA: artéria mesentérica superior).

 

 TRATAMENTO

 

O tipo de tratamento é definido de acordo com o estádio em que a doença se apresenta.

 

Estádio I ou II

Quando o câncer está confinado ao pâncreas (Estádio I e II), o tratamento indicado é a cirurgia radical associada à quimioterapia e/ou radioterapia após a cirurgia. Nos casos em que o tumor não pode ser operado, o tratamento indicado é a radioterapia associada ou não à quimioterapia.

Tratamento do câncer de pâncreas estádio 1.

Tumor confinado ao pâncreas ≤ 2 cm (IA) ou > 2 cm (IB) e o tratamento específico para esta fase da doença.

 

Tratamento do câncer de pâncreas estádio 2.

Tumor que penetra a gordura que reveste o pâncreas (IIA) ou compromete os linfonodos (IIB), e o tratamento específico para estas fases da doença.

 

  • Cirurgia radical

Na cirurgia radical, o intuito é a remoção completa do tecido tumoral, através da retirada parcial ou total do pâncreas e dos linfonodos ao redor. Essa é uma operação de grande porte, que exige cirurgiões muito experientes, centros hospitalares de qualidade e pacientes em boas condições físicas.

Nos tumores de cabeça de pâncreas, o procedimento realizado é a gastroduodenopancreatectomia, também conhecida como cirurgia de Whipple, na qual são removidos a cabeça do pâncreas, parte do estômago, todo o duodeno, vesícula biliar e os linfonodos regionais. Outra técnica frequentemente utilizada é a duodenopancreatectomia com preservação de piloro (válvula entre estômago e duodeno), deixando integralmente o estômago, com o intuito de preservar as condições nutricionais.

Devido à localização do pâncreas e sua relação com os grandes vasos que irrigam o intestino (vasos mesentéricos) ou outros órgãos (veia cava inferior), a incisão cirúrgica precisa ser ampla: longitudinal no centro do abdômen ou transversal abaixo das costelas. Em tumores do corpo e cauda do pâncreas, as cirurgias podem ser menos agressivas.

Em geral os pacientes ficam internados por sete a 14 dias depois da cirurgia, podendo voltar às atividades rotineiras em seis a oito semanas. A taxa de mortalidade perioperatória é inferior a 5%, mas as complicações cirúrgicas chegam a 40% dos casos.

Infelizmente, a cirurgia radical, o melhor tratamento para o câncer de pâncreas localizado, só é possível em 10% a 30% dos pacientes.

 

  • Radioterapia externa

Em algumas situações o tumor não pode ser operado por ter invadido estruturas que impedem sua retirada completa ou porque o paciente não tem condições clínicas para suportar uma cirurgia muito prolongada. Nesse cenário, a radioterapia (associada ou não à quimioterapia) é uma opção razoável. A técnica mais utilizada é a radioterapia externa conformacional. O tratamento tem a duração aproximada de cinco semanas, com sessões de segunda a sexta-feira que duram cerca de 15 a 20 minutos.

A radioterapia também está indicada para complementar a cirurgia (radioterapia adjuvante), nos casos em que há suspeita da persistência de algum foco tumoral na área operada ou, em casos raros, combinada à quimioterapia para diminuir o tamanho do tumor e tornar possível a cirurgia radical (neoadjuvante).

 

  • Quimioterapia

Para um paciente cujo tumor foi removido cirurgicamente por completo, em geral, recomenda-se a quimioterapia preventiva (adjuvante), com o intuito de reduzir o risco de recidiva da doença. O tratamento padrão atual é a quimioterapia com combinação de 2 ou mais drogas, esquemas baseados em gemcitabina ou fluorpirimidinas. A duração da quimioterapia adjuvante é de 24 semanas e, mesmo pacientes idosos, costumam tolerar bem o tratamento.

 

Estádio III

Em algumas situações da doença em estádio III, a quimioterapia com um ou mais medicamentos pode ser usada antes da cirurgia, para diminuir o tamanho do tumor e facilitar o procedimento. Quando a cirurgia não for possível, a radioterapia é outra estratégia que pode ser utilizada neste cenário para facilitar ou permitir a ressecção total do tumor.

 

Tratamento do câncer de pâncreas estádio 3.

Comprometimento dos grandes vasos que irrigam o intestino nas proximidades do pâncreas (artéria e veia mesentérica) e o tratamento específico para esta fase da doença.

 

Estádio IV

Nesta fase, em que o câncer invade órgãos vizinhos ao pâncreas ou órgãos distantes, como peritônio, pulmões e fígado, o tratamento de escolha é a quimioterapia. O objetivo do tratamento é reduzir a população de células malignas, prolongar e melhorar a qualidade de vida.

 

Tratamento do câncer de pâncreas estádio 4.

Comprometimento dos órgãos distantes, como peritônio, pulmões, fígado e ossos, e o tratamento específico para esta fase da doença.

 

  • Quimioterapia

A gencitabina é um agente bem tolerado, que causa poucos efeitos colaterais de forma geral. Não costuma provocar queda de cabelo nem náuseas ou vômitos. O esquema incluindo 5-fluorouracil, irinotecano e oxaliplatina (esquema FOLFIRINOX), tem mostrado resultados melhores que a gencitabina, apesar de ser um esquema mais toxico vem sendo utilizado com bastante frequência devido eficacia. Mais recentemente, uma combinação contendo gencitabina e outra quimioterapia, chamada nab-paclitaxel, também foi melhor que a gencitabina isolada, representando uma opção alternativa para pacientes com doença avançada.

 

  • Alcoolização de nervos infiltrados pelo câncer

Para aliviar as dores lombares e na “boca” do estômago (região chamada de epigástrio), secundárias à invasão das estruturas nervosas de um dos plexos nervosos abdominais (plexo celíaco), podemos empregar analgésicos potentes ou alcoolizar o referido plexo para evitar a condução do estímulo nervoso responsável pela dor.

 

  • Cirurgia desobstrutiva

Quando o tumor já comprime os dutos que levam a bile para o duodeno e a icterícia se torna progressiva, existe a possibilidade de fazer uma cirurgia de ponte (bypass), na qual o cirurgião desvia o fluxo de bile para uma alça intestinal que não esteja obstruída. Por vezes, quando não há condições cirúrgicas, o cirurgião opta por colocar um stent por via endoscópica, uma pequena prótese introduzida na via biliar para ultrapassar a obstrução e permitir a drenagem da bile.